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24.2.10

Ainda são pequeninas

e já tenho saudades delas assim. Ando sôfrega a aproveitar o que a Rita ainda tem de bebé e o que a Joana ainda tem de criança pequenina e inocente. É assim uma moinha que me assola de vez em quando e que me faz ter saudades delas ao mesmo tempo que estou com elas.

Até porque se ficar por aqui, que é o mais provável, já não vou ter mais bochechas e barriguinhas espetadas a andar pela casa, e vozinhas de bebé cheias de mimo e crianças que acham que somos a melhor companhia do mundo. Até a birrinha porque uma quer dormir de coroa a aleijar-lhe a cabeça ou a birrinha porque a outra pôs água na sopa porque estava muito grossa e agora tem o dobro da sopa para comer, tem graça, ao fim do dia, quando elas já estão deitadinhas ali mesmo ao lado e nós já temos saudades delas.

E tantas vezes sinto um alívio de as ter finalmente caladas e quedas a dormir nas suas camas e me vou enfiar nos seus lençóis e contemplar aquelas carinhas inchadinhas a dormir e a boquinha aberta e o cabelinho suado e o cheirinho a natas.

Um dia apetecia-me e dizia "hoje quero a Joana com 2 aninhos outra vez". E aparecia-me ela de fraldas, com caracoletas a cobrir-lhe a cabeça e iamos passear aos parquinhos, como quando ainda estava em casa comigo. Ou dizia "hoje quero a Ritinha com 1 ano" e tinha uma criança de chucha, cabelinho com franja, mãozinhas sapudas e viciada em nozes e amêndoas. Depois iam dormir e no dia seguinte voltavam ao normal.

Quando tiverem 15 anos e por aí fora, era capaz de solicitar este serviço de regresso ao passado todos os dias. Porque não me apetece que sejam adolescentes, tenho até bastante aversão a essa fase. Por tudo e por nada. Não que não confie na nossa capacidade de as educar para o que é certo. Mas porque isso só, ajuda bastante mas infelizmente não chega.

Sou do mais saudosista que há. Não fico presa ao passado, aproveito muito bem o que cada fase me traz e sinto que tenho vivido a infância delas de uma maneira muito presente mas se calhar é mesmo por isso que sinto sempre pena do que fica para trás. Saudades. Muitas saudades.

E cada vez que um aniversário delas se aproxima, lá fico eu mais nostálgica com os resquícios de bebezice que se vão perdendo. 4 anos. A Rita já vai fazer 4 anos. Mentaliza-te Inês.

17.2.10

Ao jantar

em plena algazarra com as miúdas a falarem ao mesmo tempo, as duas a quererem que eu as oiça e nenhuma a comer. Um caos daqueles e eu à beira de um berro intimidatório.

Rita: Já sei mãe, jogo do siêncio!

Joana: Boa!

Rita: Então vá, vamos fechar o fecho.

Joana: Já sei, fechamos a boca com o fecho e só abrimos quando for para comer. E atiramos a chave ao lixo.

Rita: Não, não, já sei, já sei. Hããã. Vamos segurar o fecho com a mão e deitar o fecho ao lixo.

Eu: A Joana já disse isso. O jogo começa ou não começa? Ai.

Rita: Já sei (começam sempre assim). Seguramos o fecho na boca a fingir que é uma fita cola, arrancamos e ficamos com a boca fechadinha e já não conseguimos falar.

Eu: (Impossível. Dissertações sobre o jogo do silêncio em pleno jogo do silêncio.) Vamos lá parar de complicar. Jogo do silêncio é bico calado. Vá.

Joana: Boa! Vá, 1, 2, 3.

Rita: ihihihih

Joana: fecha o fecho!

Rita: Já sei! Joana, tens que pôr a mão na boca para apertar o fecho e a outra levanta a colher para comeres. E não podes falar, está bem?

As duas: blá, blá, blá...

Apago a televisão e é vê-las de biquinho calado em dois segundos. Qual fecho fechadinho e atiradinho para o lixo. Eram capazes de continuar nisto a noite inteira. Que gralhas.