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15.10.09

Sou cliente Pingo Doce.

Vou lá todas as terças-feiras. E não gosto nada do novo anúncio. Que é de fugir mesmo sem som. Mas não será por isso que deixarei de lá ir.

A não ser que tenham o jingle a tocar enquanto faço compras. Se ouço aquela voz agonizante de Janeiro a Janeiro a pairar o meu avio, então dou à sola.

É que não se aguenta. Parece a matança do porco.

14.10.09

Libelinhas ainda vá lá...

agora bichinhos esquisitos tipo aranhões microscópicos que saltam tipo pulguinhas é que já areia a mais para o meu camião.

Anteontem com o calor que esteve, tive as janelas da cozinha abertas o dia todo, incluíndo fim de tarde já com as luzes acesas e hora de jantar. Enquanto arrumava a louça começei a reparar nuns bichos, estes que descrevi, por todo o lado. Fáceis de aniquilar, mas mais que as mães. Enervada e já cheia de comichões andei feita louca à procura de uma batata podre ou de uma maçã que tenha rolado para um canto em estado de decomposição. Nada. Continuei a exterminá-los enojada. Não paravam de aparecer à minha frente, parecia gozação organizada.

O Nuno que chegou mais tarde e que me apanhou à beira de um ataque de nervos, desfigurada pela mórbida tarefa, também andou de rabo para o ar à procura da fonte. Quando de repente me diz Inês... com aquela voz de quem está à beira de me dar uma má notícia mas que não pode falar muito alto para não acordar o monstro. Olha... e aponta para o tecto.

Eram tantos. Colados no tecto da minha linda cozinha. Tantos.

Armei-me de aspirador em punho, tipo ghostbuster e eles nem reagiram. De repente estavam ali e depois já não estavam. Nem sabem o que lhes aconteceu à vida.


Depois lá vi que também havia vários colados aos vidros do lado de fora da janela. Percebi que como tenho um jardim e lagos mesmo à beira da minha janela, seria dali que eles vinham. Por causa do calor fora de horas, digo eu. Porque nunca tinha visto tal coisa.

Bichos tão estranhos. É a contrapartida deste calor outonal. Não podemos querer tudo.

29.5.09

Ando com pouca vontade de escrever

porque ando com um nó no estômago com tudo o que tenho visto sobre a menina que foi para a Rússia. Até me custa vir aqui contar novidades, ou desabafar sobre a Joana que anda mal-comportada na escola ou sobre a Rita que continua com tosse e que vai ter que repetir um Rx aos pulmões. Porque a Alexandra não me sai da cabeça.

Já vi muitas imagens revoltantes, mas ontem quando vi o terror nos olhos dela quando ainda estava dentro do carro prestes a ser entregue à Segurança Social, fiquei transtornada. Era um sofrimento tão profundo que até doía cá dentro. E o olhar dela vazio quando é impelida a dar um beijo a uma Avó que não conhece. Uma "mãe" que bebe cerveja ao pequeno-almoço e que só pode estar alcoolizada para lhe dar aqueles tabefes em frente à televisão. A cama dela por cima do forno. A ausência de afectos.

É tão mau tão mau. O que sentirá ela, à noite quando vai dormir e sente a dor da saudade? Como é que se faz uma coisa destas a uma criança? Se ainda conseguíssemos sentir que esta nova mãe estava decidida em lhe dar um lar, (como tudo o que isso implica, e não apenas as quatro paredes), que seria capaz de a compensar afectivamente de forma a diluir a dor que a menina sente por ver a sua vida a desabar, mas vemos exactamente o contrário.

O pior é a sensação de impotência e saber que esta decisão é irreversível. E que vai ser mais uma criança disfuncional neste mundo, rodeada de crueldade e falta de amor.

3.4.09

Pior ideia que tive nos últimos tempos

Levá-las ao parque dos insufláveis da Serafina depois da escola. Num dia frio e cinzento. Não deve haver sítio mais feio e deprimente para os miúdos brincarem. Está tudo maltratado, velho, frio e sujo. E paga-se. A uma senhora muito mal-encarada. Pudera, a trabalhar ali também eu estaria com uma tromba de metro.

Andei a resistir durante muito tempo, mas agora já não me apanham lá mais. Ficou visto e esquecido.

Outro sítio que deixa muito a desejar são as casinhas do Jardim Zoológico, aquelas perto da entrada, casinhas pequeninas onde eu brincava imenso quando era pequena. A Joana gosta muito de ir para lá mas depois de várias "não mexas aí, não toques nas paredes, não te sentes no chão, aaaaaaaaa, que nojo vamos embora!!", acaba por desistir. Estão sujas, cheiram muito mal, estão degradadas e grafitadas.

No outro dia estava um casalinho lá dentro fechado numa casa onde por acaso a Joana estava a tentar entrar. Fui logo falar com o senhor da entrada que os correu dali para fora. Era só que faltava. Está tudo parvo. É pena, lembro-me de como me divertia a brincar por ali com loucinhas que trazia de casa. Já estariam sujas nessa altura?