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7.1.10

Já voltámos.

O voo de ontem foi pacífico num Airbus 330, cheio de estabilidade mesmo com a ventania do costume. Mesmo assim, o meu medo de voar intensificou-se drasticamente nestas férias. E nesta viagem parecia uma louca com ouvido de tísica atenta a todos os barulhinhos.

Nem referi isto no post anterior mas houve um momento durante o tal voo sulipanga em que ouvi um alarme, uma sirene. Não sonhei, ouvi mesmo. Um som diferente, assim mesmo de emergência. Logo de seguida o comissário de bordo entrou para o cockpit e fechou a porta e pronto, pensei logo que estava a receber instruções para uma aterragem mais forçada ou de emergência. Fiz logo o filme todo. Agarrei-me ao folheto e pus-me a estudar rapidamente as posições.

Um bocado antes, depois da descolagem atribulada ainda perguntei à hospedeira se estava bom tempo na Terceira onde iamos aterrar. Ao que ela me respondeu: penso que sim, pelo menos há bocado quando descolámos não fez tantos estragos como agora.


Estragos. Coisa fantástica para se dizer a uma passageira nervosa. Na minha cabecinha apavorada estragos podem ser: uma cauda partida, uma fissura na parede que pode abrir e sugar-nos a todos, uma asa que descolou e voou para parte incerta, o trem de aterragem que caiu ao mar, bacias partidas por causa do cavaló. Enfim.

Andou a dar copinhos de água lá atrás para passageiras piores do que eu e a mim diz-me uma coisa destas. E o Nuno numa excitação querer comentar a descolagem porque não estava ao meu lado. Viste Inês, mas tu viste? Chhh, não quero falar!! Não sei se já reparaste mas ainda estamos dentro da máquina!!



Gostava de regressar a São Miguel, mas com tempo como deve ser. Às outras ilhas já não posso voltar, porque viagens de avião daquelas, estão fora de questão. Como eu já disse, never jamais!

3.1.10

Como eu dizia,

é mais agradável estar em terra firme num aeroporto do que num aviãozinho medonho a hélice com mau tempo.

O avião levantou voo com ventos fortíssimos e o resultado foi um descolar bastante atribulado. Fora o resto. Mal se recompôs dos ventos em pista, levantou voo e levou um chimbalau lateral que o empurrou fortemente para um lado e logo a seguir para o outro. Depois apanhou dois grandes poços de ar ainda a poucos metros do mar e andou aos soluços, para baixo e novamente para baixo. Logo na altura mais vulnerável do voo que é a descolagem.

O resto do viagem foi vivido em sobressalto por toda a gente. Falando por mim, posso afirmar que estava absolutamente em pânico agarrada à Joana como se fosse ela a mãe e eu a filha. Nem consegui fingir. Sou muito pessimista no que diz respeito a viagens de avião e penso o contrário da maioria das pessoas. Para mim é uma sorte quando os voos correm bem e não o contrário. As estatísticas não me convencem e sinto que estou sempre a arriscar-me cada vez que me enfio num avião. Apesar de tudo não deixo de o fazer porque gosto mesmo muito do resto, da parte das férias num sítio diferente. Acredito que há pessoas bem piores que eu. Mas desta vez achei mesmo que podia tudo acabar mal.

Logo a seguir a aproximação à Terceira, mais uma ilha fustigada por ventos muito fortes. Muitas sacudidelas. Dentro das nuvens então nem se fala. Num avião pequeno sente-se tudo e a sensação que deu é que mais uma rajada daquelas e ele virava-se de vez. Respira fundo, dizia-me o Nuno, respira fundo, qual quê. Uma nervoseira daquelas que só acabou com a aterragem não sem antes imaginar que o avião ia borregar. Só podia. Ou então bater com uma asa no chão.

É que nunca mais. Aviões destes, never jamais. E terras ventosas então. Fora de questão. Totalmente fora dos meus mapas de férias.

5.3.09

Hoje às 5 da manhã

estava uma ventania desgraçada e a Joana acordou assustada com o assobio e com o som do vento. Acabou por vir dormir para a nossa cama, coisa raríssima no caso dela que dorme a noite inteira num sono bem pesado. Depois de um bocado de ronha continuei sem conseguir adormecer. Sou muito chata com esta coisa do dormir, tem que estar tudo perfeito. Escuro, silencioso, quentinho, tenho que ter espaço para me esticar e não podem estar às voltas na cama ao meu lado. Coitado do Nuno que não tem autorização para ter insónias.

A Joana que depois de várias teorias sobre a ventania que só estava na janela dela, acabou por despertar e esteve aí uma hora às voltas. E eu cada vez mais acordada, acabei por ir dormir para a cama dela que foi a minha cama durante tantos anos. Que rijo que é o colchão, coitadita.


Mas o som do vento estava assustador, parecia que a qualquer momento a janela ia estoirar. Estive prestes a voltar para a minha cama, para não estar sozinha, mas depois de me tapar toda até à cabeça, acabei por adormecer. Não gosto de dormir sozinha, nunca gostei. Durante uns bons anos depois de ver o Ghostbusters e os Gremlins no cinema, torrei a paciência da minha irmã para me fazer companhia para dormir. Muitas noites ela adormecia sozinha e acordava comigo ao lado de manhã.

Basicamente morria de medo de fantasmas, porque acreditava que eles andavam aí. E ainda acredito. E depois as imagens dos Gremlins maléficos (não o Guizmo que era um castiço), atormentava-me a cabeça. Hoje em dia, faz-me impressão abrir os olhos no meio da escuridão, com receio de ver alguma coisa que não quero. Pior é quando vou à casa-de-banho de noite e tenho o espelho à minha frente. Os espelhos às escuras dão-me arrepios e portanto não olho. Lembro-me sempre de uma história que ouvi duma amiga de uma amiga que quando ia à casa-de-banho às escuras via o seu reflexo no espelho com cabeça de gato. Creepy.

Enfim, isto tudo só para falar do vento. A Joana que adormeceu profundamente e que não foi nada fácil de acordar, jura a pés juntos que não dormiu. Que canseira, disse ela, que não dormiu, só fechou os olhos. A fingir.