
Eu também. Quando mete uma coisa na cabeça é para ser feita. Eu já nem por isso. Tenho o defeito de só ser muito perseverante em algumas coisas, não em todas. E de ser selectiva na teimosia. Mas isto não é sobre mim. É sobre ele, que ontem se superou.
Quando ouvi pela primeira vez que estava a pensar correr uma maratona, saltaram-me logo as garras para fora, que nem pensar, que ai o teu coração, que ai ainda te explode para aí uma artéria na cabeça, que não, olha que tens duas filhas, que não quero ficar viúva tão cedo e que vá lá não te metas nisso, deixa lá essas coisas para os quenianos.
Mas é teimoso, já disse? E portanto sossegou-me que ia ter cuidado, que ia monotorizar o coração e que se não se sentisse bem que parava. Até ontem o máximo que tinha corrido tinham sido 25 quilómetros no fim-de-semana anterior no Alentejo e no fim acabou "esquisito". Esquisito para mim faz-me logo lembrar falta de sangue para pulsar o coração, ou uma bolha latejante na cabeça prestes a explodir, ou uma pessoa muito pálida a cair para o lado com um baque qualquer. Enfim, achei que era de loucos, mas que apesar de tudo, ele estava em forma e portanto não duvidava que ele conseguisse.
Passadas quatro horas em casa achei que se não tinha desistido até essa altura, ia conseguir terminar. Peguei nas miúdas e fomos para a meta. Gritar pelo nosso paizão campeão e pelo tio Ricardo que merecia uma grande trolitada na cabeça por nos meter em apuros como estes. Muito gostam eles de desafios. Chatos.
Ainda vinha a uns 500 metros quando reconheci o vermelho da camisola, a silhueta, o mano velho ao lado. Inteirinho e a arrastar-se. Surpreendido quando nos viu, emocionado posso dizer. Conseguiu. E nós batemos muitas palmas e ficámos muito orgulhosas do nosso Nuninho. E esperamos que não se meta noutra tão cedo e que arranjem desafios mais caseiros, mais interessantes tipo ver quem consegue lavar a louça mais depressa ou quem consegue durante um mês baixar o tampo da sanita mais vezes. Isso sim, são desafios admiráveis. Quais maratonas...