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12.5.10

Desde que voltámos da Alemanha

que todas as semanas recebemos uma conta referente ao internamento da Joana. Tem sido uma rambóia de cartas a cobrar tudo e mais um cêntimo. Na altura pagámos ao hospital 200 euros que pensámos que incluísse todo o tratamento. Ingénuos.

Depois do nosso regresso recebemos duas contas. Uma referente à ambulância. Outra referente ao dentista que foi de propósito ao hospital ver o estado interior da boca da Joana. Ok. até aqui tudo bem. Achámos que nos podia ter sido cobrado na altura mas compreendemos.

A maior surpresa veio mais tarde quando recebemos uma carta referente ao salvamento na montanha. Ela estava a uns 200 metros do teleférico e o que fizeram além de lhe enfaixar a cabeça foi transportá-la até ao teleférico. Uma distância mesmo muito pequena porque a Joana espalhou-se já no fim da pista. Mas lá devem ter gasto litros e litros de gasolina e outros recursos porque a conta é de 380 euros. Não queria acreditar na roubalheira. Ainda que a tivessem salvo de helicópetro no alto da montanha enfiada no meio de umas árvores com uma avalanche eminente, até compreendia. Agora uns míseros metros, sem terem que a imobilizar, nem nada do género, não consigo engolir.

Mas anteontem recebemos ainda mais uma. Do hospital. Com tudo discriminadinho, tipo gazes, medicamentos etc. Quase 250 euros. Pergunto eu então a que se referiam os 200 euros que pagámos no próprio dia.

Já estou à espera de uma conta da utilização da cadeira de rodas onde a Joana foi sentada no teleférico e do balão-luva com cara que a anestesista fez para as distrair.

Fomos muito bem tratados, isso fomos, mas para a próxima enganamo-nos na morada quando nos pedirem para preencher papéis.


Isto e mais a fritadeira que avariou. O ferro que pifou. A máquina de lavar-roupa que não tem arranjo e o mini-aspirador que se desfez, já nos andamos a passar.

O tal ursinho saiu-nos caro.

20.4.10

O balanço da neve

para a Joana foram 7 pontos no queixo e um dente definitivo que voltou a enterrar-se na gengiva. Agora está óptima, tirou os pontos no domingo pelas mãozinhas pacientes da avó Bia. O dente ainda vai ter que ser visto. Só estou à espera que tudo sare dentro da boca para a levar à dentista, mas quase de certeza que vai ter que usar um aparelho para o endireitar.

Foi no último dia, antes do regresso, última pista, última descida. Eu estava cá em baixo com a Rita que só queria era brincar na neve, com as forminhas e pás da praia. A Joana foi como de costume com o Nuno lá para cima para uma pista azul, larga e com pouca gente. Estranhei a demora e quando recebo uma sms do Nuno a dizer que a Joana se tinha aleijado mas estava bem, fiquei sem pinga de sangue. Ligeiramente mais calma quando falei com ele, mas quando vi a mota com os paramédicos que traziam a Joana enfiada numa maca toda fechada e com a cabeça toda enrolada com ligaduras, só se viam os olhos e o nariz, assustei-me. Ela tadinha só chorava e gritava que não queria ser cosida, que só queria um penso. Lá foi ela de maca com o Nuno até aos teleféricos e eu carregada com os skis, com as botas, a mochila, a Rita a andar o mais rápido que podia.

De cadeira de rodas e toda ensaguentada, foi sempre a chorar teleférico abaixo, que lhe doía o dente. Quando vi mais tarde o estrafego dentro da boca é que percebi que o impacto tinha sido bem grande. Tínhamos uma ambulância à nossa espera e deram-lhe logo este ursinho para a acalmar. E acalmou mesmo. Levou anestesia geral e puderam cosê-la com calma e até chamaram um dentista para ver o estado dos dentes. Quando acordou e percebeu que tinha sido cosida a dormir ficou super aliviada. Eu é que estava um bocado preocupada com os delírios dela. Fazia constantemente as mesmas perguntas, via-me com quatro olhos e via duas Ritas no quarto. Chegou a ver um homem deitado na cama ao lado (que estava vazia) a quem chamou Zé Ninguém. Alucinações à parte, fomos muito bem tratados. E passado umas horas, os delírios foram passando.


Em relação à queda, foi estranho, porque era uma pista bastante larga quase sem ninguém. A Joana ia a esquiar lindamente de um lado para o outro, muito concentrada mas, do que ela se lembra, olhou para trás e quando se virou novamente não conseguiu evitar um grupo de quatro adultos que estavam parados numa ponta. Vá lá que essas pessoas eram da organização de umas corridas na pista ao lado e trataram dela logo ali. Sacaram dum estojo de primeiros socorros, enfaixaram-na, deitaram-na, chamaram os paramédicos. Enfim, ao menos estrampalhou-se contra alguém como deve ser. : )

Foi um sustinho, mas ainda assim teve sorte de não lhe ter acontecido algo pior. Agora é andar mais em cima dela, pô-la em aulas e refrear a mania das velocidades. Que o meu coraçãozinho não aguenta.

14.4.10

Garmish-Partenkirchen.


Fomos todos de viagem para a Baviera. Nós, avós, tios e sobrinha. Tudo tão bonito, as casas decoradas com frescos fabulosos, ruas muito limpas, sem cocós de cão de metro em metro, um tempo excelente, muito sol e temperaturas amenas, muitos passeios todos enfiados numa Vito, muito boa disposição, comida para enfarta-brutos, algumas saudades de peixinho. Como ponto alto, a visita ao Castelo do Luís da Baviera. Lindíssimo. Parece saído de um conto de fadas.

Ali mesmo ao lado uma estância de ski, com pistas largas com pouca gente, perfeitas para medrosas como eu e iniciantes como as meninas. Ainda consegui passar uma vergonha nas cadeiras, porque recusava-me a ir sozinha, apesar de serem as cadeiras mais lentas que vi até hoje. Uma das vezes em que fui com o Nuno passei a cancela depressa demais e o Nuno ficou para trás, ou seja, teria que ir completamente sozinha na cadeira. Entrei em modo pânico-total e não estive com modas. Atirei-me toda para o chão, completamente deitada, tiveram que parar as cadeiras porque estava a segundos de levar com umas pelas costas e tiveram que me ajudar a levantar porque não era capaz. Nem tive coragem de olhar para trás para todos aqueles pros, aquelas crianças recém-nascidas que andam de ski de olhos fechados e aqueles adultos cheios de estilo que fazem aquilo com uma pernas às costas. Ri-me. Pedi desculpa ao senhor das cadeiras e lá fui eu repimpadinha com companhia. A Joana só dizia oh mãe... és mesmo maluca.

Depois, numa outra volta também com o Nuno aconteceu-me precisamente a mesma coisa. Suspeito que ele fez de propósito, ou então não, que as cancelas eram tão rápidas que a Joana ficava sempre para trás e o Nuno com ela. Eu com o pânico do costume fazia tudo muito roboticamente e quase nem respirava e se a cancela abria, eu escorregava logo para a frente porque estava colada. Vi-me novamente sozinha. Olhei para trás e o Nuno disse Vai, vá! e lá fui eu, tão corajosa, rabo espetado, tudo muito bem feitinho. Só que depois não tinha força para baixar aquela protecção onde assentamos os skis. Não conseguia. Tive que me arrastar até ao meio da cadeira e lá nas alturas fazer a minha força máxima e acabei por conseguir. Mas ainda fui alguns minutos assim al naturel. Sem nada a proteger-me de escorregar lá para baixo. O Nuno ia na cadeira atrás e ainda bem que não me ouviu a pregar contra ele. Estava furiosa. O que é facto é que ganhei confiança e depois era ver-me fazer pistas sozinha e andar nas cadeiras sozinha também toda inchada de coragem e orgulho em mim.

As meninas esquiaram lindamente para o que era esperado. A Joana surpreende-me sempre por ser tão destemida neste género de coisas e era como se já tivesse esquiado a vida toda. A Rita começou a medo mas no 2º dia já descia as pistas dos iniciados sozinha. Eu para a qualidade da neve, cheia de gelo, lá me ia queixando quando não conseguia travar mas penso que evoluí um bocadinho. Comecei bem medrosa mas no fim já estava muito à vontade. Rogava pragas às pistas com sombra que me punham a velocidades impensáveis. Gosto de descer calmamente, com tudo controladinho, de um lado para o outro. Já consigo respirar nas cadeiras e até tiro fotografias e quando vou a descer pistas já consigo virar sem estudar a qualidade da neve exaustivamente. Grandes progressos para mim. Mas preciso de aulas.

No último dia de neve um grande susto. Mas fica para outro post que este fica só para as coisas boas.

20.1.09

Já voltámos e venho inteira.

A novidade é que só caí uma vez, fiz pistas azuis com bocadinhos de vermelhas, recebi dicas preciosas da Patrícia que me ajudaram a controlar melhor os skis e a ganhar mais confiança e a perder um bocadinho do medo.

A não-novidade é que continuo com pânico na entrada e saída das cadeiras. Bem tento descontraír e fazer as coisas sozinha, mas acabo encavalitada no Nuno e com saídas desgovernadas. Mas já consigo conversar lá em cima, e perdi um bocado o medo das alturas, se bem que estas cadeirinhas não eram muito altas.

No 1º dia esteve um sol radioso, mas com o aluguer do material e afins, acabámos por perder muito tempo. Mas deu para começar a ganhar alguma confiança. A Joana experimentou e tem algum receio de andar sozinha. Andou toda contente no meio das pernas do Nuno e planeámos umas aulas para ela no dia seguinte mas o tempo fechou completamente e passou praticamente o dia todo dentro do restaurante. Esta foi a parte chata, o tempo mudou radicalmente no 2º dia, nevoeiro, neve, frio e muito muito vento. No 3º dia as pistas nem sequer abriram e antecipámos o regresso para a parte da manhã.

A companhia foi 5 estrelas e as miúdas estiveram muito entretidas com os amigos da escola. Claro que ontem tivémos direito a choradeira saudosa da Joana na hora de dormir. E hoje de manhã na escola mais um chorinho matinal porque queria ir para a neve e queria o seu amigo M. que entretanto ficou doente em casa depois de tanto frio que apanhámos.

Os meus músculos estão doridos de uma ponta à outra. Estou como fiquei quando fui a pé a Fátima, tal é a tensão com que esquio. Até os dedos das mãos me doiem por apertar com força os batons enquanto desço as pistas. Mas como domino melhor a travagem, consigo ter mais confiança e apesar de continuar a ter medo da velocidade, penso que com algumas aulas, vou lá.

O bichinho veio para ficar.

P.s. As fotos são escassas. No 1º dia poucas tirei porque andava entretida com outras coisas. No 2º dia o tempo fechou e a vontade de tirar fotos, foi-se com o nevoeiro cerrado.

16.1.09

Nervoso miudinho

e aqui vamos nós. Eu e a Rita com uma conjuntivite como companheira, mas mais valia que fosse um pé torcido ou um braço partido, qualquer coisa que servisse como desculpa. Mas não, é só comichão interminável e pode ser que um punhado de neve em cima lhe faça maravilhas.

As malas feitas e tudo controladinho, nada de excessos, tirando as bolachas e snacks para comermos durante o dia que levo como se fosse lá ficar um mês. Mas de roupa aqui temos a vantagem de não termos de fazer conjuntos giros, é só uma mão cheia de polares, golas altas e siga.

Espero para a semana só ter coisas boas para contar. Já chega de histórias malucas.

14.1.09

A última vez que fomos à neve

já foi há quase 4 anos a Zermatt na Suiça. Nessa viagem aconteceu-me algo inédito e jurei que nunca mais me punha em cima de uns skis.

Fui para umas pistas lá para cima, com o Nuno e com o meu cunhado. Era uma pista azul (moderada) e como andava confiante, ia toda contente. Chegámos ao topo e a pista estava fechada e portanto só podíamos descer por uma vermelha (que são as difíceis, ainda há as pistas pretas mas essas são para malucos).

Borrada como sou, recusei-me a descer a pista a esquiar e lá vim eu montanha abaixo a pé, com os skis nas mãos. Demorámos tanto que entretanto já eram 17h e as pistas fecharam. Ainda faltava imenso e já não havia ninguém por perto. Até que mais tarde apareceram dois esquiadores profissionais que andavam a fazer a vistoria final às pistas para ver se havia alguém perdido.

Quando me viram de skis nas mãos passaram-se. Disseram que as pistas já estavam fechadas, que já não havia meios mecânicos a funcionar e que tínhamos que nos despachar. Eu recusei-me a subir para os skis e a descer a pista vermelha e então um deles, que trazia uma maca atrás, obrigou-me a sentar-me lá.

Ok, pensei eu, faz de conta que eu sou um aleijado, de certeza que vai devagarinho, até vai ser relaxante. Mas não foi. Só por sorte não fui cuspida borda fora várias vezes. Agarrei-me com tanta força que achei que tinha partido os tendões todos das mãos. Ele desceu a pista vermelha a alta velocidade. Eu não conseguia abrir os olhos e a boca porque estava a levar com a neve toda na "fronha". Gritei que nem uma descompensada mas ele ignorou-me. Tive mesmo a sensação que se estava a divertir com a situação.

Ainda foram alguns minutos nesta maluqueira e quando parámos insultei tudo e todos e jurei que nunca mais me metia em cima de uns skis.


Mas neve, aqui vou eu. Deve ser o tal bichinho de que tanto falam...

12.1.09

De um dia para o outro

combinámos uma ida à neve com um casal amigo nosso que tem um filho na sala da Joana e uma filha na sala da Rita. Vamos para a Sierra de Béjar que eu nunca tinha ouvido falar, mas que é uma boa alternativa para matar o bichinho da neve. É só a 400 kms de Lisboa e tudo por auto-estrada.

Agora que está tudo combinado começam as minhas dores de barriga por me imaginar novamente em cima de uns skis. É um misto de gostar e ter um medo paralisante. Ainda por cima desta vez vou só com pros e não tenho companhia para a gritaria.

Começa logo na parte de ter de calçar as botas mais desconfortáveis do mundo e depois ter que me enfiar nas cadeirinhas já com os skis postos
(pergunto eu porque é que não podemos entrar nas cadeiras com os skis nas mãos? Poupava-me uns quantos cabelos brancos). Aqui tenho sempre medo que quando a cadeira nos empurra (1º susto de morte), de ficar com um ski preso ao chão, torcer a perna e parti-la ao meio.

Depois é a parte das alturas. Não respiro nem falo com ninguém, simplesmente não reajo para não abanar a cadeira nem ter consciência de nada. Pior é quando as cadeiras param a meio e ficam a baloiçar a um quilómetro do chão. E acho sempre que há uma grande probabilidade da minha cadeira cair.

A saída é o pânico de morte principal, por achar que não vou conseguir sair no segundo certo ou por ter medo de escorregar e ali ficar com outras pessoas a passarem por cima de mim ou ficar com um ski preso na cadeira e acontecer-me isto ou qualquer coisa que o valha. Consigo imaginar as coisas mais escabrosas do mundo, acreditem.


Depois na parte do ski propriamente dito, gasto os meus tendões e músculos das pernas a fazer cunhas a toda a hora, que para quem não sabe, é a travagem. Como tenho medo da velocidade, ando sempre em cunha e no dia seguinte além de não conseguir fechar as pernas, não as consigo mexer.

Se for uma pista para crianças, aquelas verdes, aí vou toda contente. Quando são as azuis, se for uma pista aceitável, consigo controlar-me. Mas se tiver uma descida mais inclinada pelo meio é ver-me tipo Robocop a fazer a pista de um lado para o outro, sempre em cunha, e a gritar cada vez que viro porque ao virar ganho velocidade, os skis encavalitam-se e eu caio. E não caio e pronto. Não, vou a escorregar meia montanha abaixo, com o rabo a meio centímetro do chão e as pernas a abrirem e quase a fazer a esparregata e acho sempre que me vou partir em três.

Juro que só de estar a escrever isto, estou a ficar com dores de barriga. E perguntam-me vocês porque é que eu me sujeito a isto. Primeiro, porque não quero dar parte fraca. E depois porque gosto. Quando corre bem e sinto que controlo a situação, a sensação é fabulosa.
Vou agarrar-me a isto e não pensar mais no assunto.