30.6.09

A minha pequena-grande finalista.

Até há pouco tempo não fazia ideia que existia este conceito de finalistas da pré-primária. Acho engraçado e eles sentem-se importantes e divertem-se imenso a preparar a sua grande surpresa. A festa da Joana foi no sábado. Uma turma de finalistas da pré e uma turma de verdadeiros finalistas do 4º ano, com um pé já fora da escola.

Sem grandes produções de peças de teatro como se vê muito por outras escolas, mas muito melhor para nós pais, porque foi uma festa muito pessoal com o enfoque como tem que ser: em cada um deles e na história que tinham para contar. Foi tudo muito envolvente e tocou-nos directamente no coração. Com o filme "Música no Coração" como tema, cantaram muitas músicas com letras adaptadas, a educadora contou um bocadinho da história deles desde os 2 anos, eles falaram dos seus medos em relação ao 1º ano e ainda foram ao microfone apresentar-se com um adjectivo. "Olá, eu sou a Joana e sou muito barulhenta!"

Foram momentos muito comoventes e simbólicos como a chamada deles um a um para receberem o diploma no palco, darem um beijinho e abraço de despedida à sua educadora e correrem para a sua nova professora. Aos saltinhos lá iam eles, enquanto nós mães nos desfazíamos em lágrimas na assistência. Pensar que acabou esta etapa da vida deles, com uma educadora tão especial que tudo fez para criar uma ponte sólida entre a escola e os pais. Rompeu com muitos dogmas, dinamizou, lutou contra o cinzentismo enraizado, introduziu festas que até aí nunca tinham existido, criou 1001 projectos com os pais e dedicou-se de corpo e alma aos nossos filhos. E por isso nesta passagem, fica um vazio. Educadora e mães encontram-se num estado de neura geral. Quando for a festa de finalistas do 4º ano acho que temos todas uma síncope.

A sala deles sempre foi vista no Colégio como uma turma especial, muito muito unida e isso deve-se também ao contexto extra-escola em que nós mães e pais tivemos um papel fundamental.
Somos um grupo de mães também muito unido, muito dinâmico e participativo e criaram-se verdadeiras amizades. Tenho orgulho em pertencer a este grupo e fico feliz da Joana ter a sorte de ter calhado nesta turma deliciosa.

Por isso tudo continua, só uma parte terminou.

24.6.09

Última-hora:

Rx da Rita limpíssimo. A médica ficou verdadeiramente em êxtase. Não sei o que ela estava à espera, mas estava mais preocupada do que eu. Eu cá estava muito confiante. Talvez por não ver a Rita assim tão bem há muitos muitos meses. Agora só pedia ao São Pedro para subir novamente o mercúrio, porque é meio caminho andado para as farfalheiras se manterem a léguas.

Agora uma dúvida: os vossos filhos costumam tomar Bronco-vaxon? E se tomam, fazem-no em "Junho, Julho e Agosto "ou "Setembro, Outubro e Novembro"? É que o pediatra dela mandou tomar agora porque diz que chegando a Setembro, ela leva com os bichos da escola e se está a fazer a vacina também, são bichos a mais. A pneumologista por seu lado diz que tem que fazer em Setembro, Outubro e Novembro porque fazendo agora, chega a Outubro já sem protecção. Isto tem sido o pão nosso de cada dia estes últimos tempos. Cada cabeça, sua sentença. Como costumam fazer?

Na semana passada

a Joana quis porque quis experimentar uma aula de ténis. Esteve num alvoroço até ao dia em que a levei ao meu professor para brincar um bocadinho. Durante a aula quase não abriu a boca, reservada até mais não. Mas andava por ali toda saltitante a fazer os pequenos exercícios com e sem raquete. Gostou muito dos jogos sem raquete mas na rede perdeu todo o entusiasmo quando percebeu que não conseguia acertar na bola. Achei que tinha gostado, mas no fim disse-me que não queria voltar.

E esta é a minha Joaninha. Detesta falhar e sentir que não consegue. Desiste muito facilmente e tem horror a perder. Já lhe explicámos que tudo se aprende devagarinho, que mesmo para ler tem que aprender letra a letra e que no ténis ou em qualquer desporto é assim também. Quem vê de fora deverá achar que somos hiper-exigentes com ela e que por isso tem esta intolerância à falha. Nada disso, acho mesmo que somos o contrário no que diz respeito às habilidades dela. E o elogio não é fácil de dosear. Se se elogia demasiado, tendem a ficar convencidos. Se se elogia pouco, têm pouca auto-confiança. No meio está a virtude, já se sabe, mas é complicado perceber a fronteira entre elogios a mais ou a menos. Mas apesar de tudo, acho que peco mais por excesso do que por defeito e por isso é-me difícil entender esta exigência extrema consigo própria.

Ficou combinado que quando quisesse voltar, que me dizia. Agora estamos na fase natação. Quer experimentar porque tem lá duas amigas da escola.

De resto andei a receber com frequência más notícias em relação ao seu comportamento na escola. Faladora até mais não, desobediente, desconcentrada e muito agitada. Em casa também andava difícil, quezilenta com a Rita, birras constantes de se atirar para o chão a pontapear o ar, bichinho carpinteiro à mesa e desobediência crónica. Andou semanas e semanas a levar prensas diárias. O comportamento na escola continua agitado, motivado também pela algazarra de fim do ano, muitos ensaios para a festa de fim do ano, a festa de finalistas, passeio para aqui, passeio para ali e comportamento geral da sala. Mas em casa mudou do dia para a noite. Está muito mais calma, muito mais diplomata com a Rita principalmente. As queixinhas diminuiram para menos de metade e já não lhe sai uma bordoada cada vez que a Rita a chateia até ao miolo ou que lhe estraga uma brincadeira. Ajuda-me a arrumar as compras, já põe a roupa suja no bidé, já não acorda às 3h30 da manhã a pedir para lhe coçar o olho e já não faz birras para lavar os dentes ou para se ir deitar.

Está completamente zen a minha filha. Uma pessoa até desconfia.

23.6.09

Depois de tantos médicos


e de tantas maldades, achei que a Rita estava a precisar de uma recompensa a sério pela pachorra com que enfrentou todos os exames e consultas intermináveis em que se portou lindamente. Perguntei-lhe o que ela queria e respondeu-me que queria uma chucha. De bebé para chuchar só um bocadinho. Disse-lhe que não se vendiam chuchas para meninas tão crescidas, e tive que engolir as minhas palavras quando no outro dia fomos juntas a uma farmácia e mesmo ao nível dela estava um suporte cheio de chuchinhas lindas e maravilhosas.

Como a chucha estava fora de questão insisti em saber o que queria para a recompensar de ser tão linda e corajosa. Pediu-me umas asas de borboleta e uns sapatos de ballet. Dito e feito.

Todos os dias se bamboleia cá em casa com as asas e os sapatos até se ir deitar. É como se já fizessem parte dela. É tão diferente da Joana, tão coquete. Hoje faz o último rx e esperemos que a possamos deixar em paz durante uns tempos.

22.6.09

Milfontes.

Rumámos à Costa Alentejana para um fim-de-semana na companhia da minha irmã, dos meus cunhados e respectivos bebés. O tempo estava quente mas menos infernal do que em Lisboa. Ficámos tão bem instalados numas casinhas no Naturarte Rio, com um pequeno-almoço entregue em casa com bolinho caseiro, pão quentinho e croissants deliciosos entre outras coisas. A piscina estava praticamente por nossa conta com alguns casalinhos pontuais a terem a sua tranquilidade estragada pelos gritinhos das 4 meninas. As minhas mais crescidas, as outras pequeninas mas felizes da vida com a atenção das primas.

No domingo fomos conhecer a Praia do Malhão, ali mesmo perto de Milfontes. Uma das praias mais selvagens da costa alentejana muito pelo acesso difícil à praia. A praia é linda, o dia estava delicioso e o mar estava límpido e a uma temperatura fantástica. Grandes banhocas, isso é que foi. Não tenho mais fotos, porque fiquei sem bateria.

Só voltámos depois do jantar e as meninas completamente k.o. quase nem despertaram depois da viagem. Só a Joana, que com as saudades dos tios a apertar, me pediu fotos dos quatro para pôr debaixo da almofada. Eu que tinha abusado nos ovos mexidos com farinheira ao jantar, que é como quem diz "um prato de colesterol faz favor!", estava enjoada de morte. Não me saía isso da cabeça e a unha da Rita que continua negra e que já está ligeiramente solta na base. Só via a unha bamboleante e a farinheira.

Mas lá acabei por adormecer com a alma cheia de coisas boas.

19.6.09

Eu gosto de Petshops.


A-ha! Pronto, admito. São mesmo giros os bichos. Já são milhares mas aqui em casa vai-se comprando devagarinho. Acho que quando os compro, compro-os mais para mim do que para elas e escolho os que gosto mais e quero lá saber se elas preferissem antes os outros. É o meu lado infantil sempre presente. Que sorte ter raparigas e poder brincar com pollys, petshops e poneyvilles.

Quando deixarem de gostar destas coisas e preferirem coisas parvas de adolescentes ou pré-qualquer coisa, arranjo outro bebé.

Estou a brincar. Não se entusiasmem.

Este panda deslumbrou-me. Acho que é o mais bonito que vi até hoje.

17.6.09

Depois de 2 semanas

com a Rita em casa, admito que senti algum alívio quando a médica lhe deu luz verde para regressar à escola. Mas ontem chorou tanto de manhã logo quando a começei a vestir, que me doeu o coração e a ela ainda mais. Hoje já ficou bem.

Está curada, os pulmões ficaram muito mais limpos com o efeito do antibiótico e com a cinesioterapia. Aliás, já não estava assim tão limpa desde Agosto do ano passado! Na 3ª fez a prova de Mantoux e lê o resultado amanhã. Eu que lhe tinha garantido que não havia "picas" tive que encarar o seu olhar suplicante e surpreendido quando lhe espetaram a agulha no braço. E esta picada ainda é bem dolorosa porque quando o líquido entra, diz a médica que parecem vidrinhos a penetrar na pele.

Para a semana faz novamente um Rx e esperemos que confirme o bom estado geral dela. Estou confiante que sim. Só gostava que isto se começasse a compôr e que a farfalheira constante desaparecesse de uma vez por todas. Ou que pelo menos me soubessem explicar porque é que ela anda sempre assim.


Passámos um fim-de-semana óptimo no Alentejo, com muito calor que é o que nós precisamos. Um guarda-sol à beira da piscina que 39 graus torram qualquer um e muitas horas dentro de água. E ainda um churrasco improvisado na noite de Santo António.

Lá muito perto descobrimos um campo de girassóis de perder de vista e de cortar a respiração. As fotos não fazem justiça porque no 1º dia que estava sol, a máquina ficou em casa e no 2ª dia a máquina já estava a dar o berro e agora não há máquina para ninguém.


10.6.09

Esta última semana e meia

tem sido vivida com algum sobressalto por causa de um Rx e Tac que a Rita fez aos pulmões e que lhe detectou uma pneumonia e um pulmão esquerdo que praticamente já não trabalhava. O mais estranho disto tudo é que apesar da sempre constante farfalheira e alguma tosse matinal, até achávamos que a Rita estava melhor do que há 2 ou 3 semanas atrás. Com ausência de febre, de prostração e outros sintomas de pneumonia, estávamos a leste que a coisa estivesse assim.

Mas as análises alteradas e posterior repetição do rx e arrastamento dos sintomas confirmaram que os pulmões da Rita já não estavam a funcionar por aí além, principalmente o esquerdo que estava sem ventilação e parcialmente colapsado.


Um antibiótico mais forte, cinesioterapia diária e ordem de soltura só para ir aos médicos. Agora se vier o calor que apregoaram pode andar ao ar livre mas para a semana se continuar assim terá que fazer mais alguns exames entre eles uma broncoscopia. Quem olha para a Rita, não nota nada, tirando o ruído da cafeteira, ela anda enérgica, bem disposta e até com apetite. Uma pneumonia silenciosa que me deixa com a pulga atrás da orelha.

Vamos ver como corre daqui para a frente. Vou dando notícias.

2.6.09

A Rita entalou o dedo na porta.

e o grito foi de tal forma intenso que saí disparada do banho completamente coberta de espuma. Não tenho sangue frio nenhum nestas coisas mas estava sozinha que remédio tinha eu senão segurar o barco. Mas nem olhei muito para o dedo, só reparei que a unha já estava toda roxa e o dedo do dobro do tamanho. Ela chorava sem parar e eu só lhe consegui dar muito colinho.

Entalou-se no sábado e entretanto o dedo desinchou mas hoje a unha sangrou. Despachei-a logo para o Nuno que unhas negras com probabilidades de cairem e ainda por cima com sangue a escorrer, é badagaio na certa. Se ela cai então nunca mais me recomponho. Dedo sem unha não aguento.


Ontem adormeceu no hall. Depois das saídas do costume da cama, achei que finalmente tinha adormecido. Estava na sala tranquilamente a ver televisão quando o Nuno entra em casa e me diz "olha a Rita!" Olha a Rita? Só se viam as perninhas dela. Deitou-se entre uma cómoda e uma parede e coladinha a uma extensão cheia de fichas ligadas. Trouxe a fralda de pano, uma data de bonecos e arrochou por ali. É mesmo maluca. Tem horror à cama, insónias de meia noite mas não há nada como um chãozinho duro e frio para adormecer. Se calhar vou adoptar a cama à chinesa. Um estrado de madeira e está a andar. Pode ser que comece a dormir como deve ser.

No fim-de-semana estivémos na praia e a novidade deste ano é que se pela de medo do mar. Mas não é do mar-ondasgrandes-rebentação-frio-correntes. Ela tem medo da água pelo tornozelo. Imaginem a Costa com maré baixa. Aquele areal enorme, cheio de piscinas naturais e espaço para brincar. Ela até anda por ali, mas basta uma onda rasteirinha ameaçar avançar pela areia a 2 km dela e já se vê a Rita a fugir em corrida descontrolada praia fora. Não olha mais para trás e nem quer saber que nunca mais nos veja. Foge de tal maneira depressa que é difícil de a apanhar, parece o pepe rápido com o rabinho a dar a dar.

A Joana já é uma companheira e pêras para grandes banhocas. A mim a velhice trouxe-me "frialdade". Já não me aguento dentro do mar como antes. É o colesterol, é o corpo a mudar, os cabelos brancos e agora esta hiper-sensibilidade à água fria. Mas a Joana quer lá saber e arrasta-me para grandes mergulhos. E eu atiro a velhice para trás das costas porque quando tomo banho é banho à séria, não é cá mergulhito e vou-me embora como uma pessoa que eu cá sei. : )

A Joana anda desde há 3 semanas a acordar religiosamente todas as noites às 3h30 da manhã. Ela que tinha um dormir profundo e maravilhoso. E depois chama-nos e ou é dor na perna ou porque tem medo das sombras ou dos barulhos ou porque teve um sonho mau. No outro dia foi catadíssima, porque não sabia ela que eu tinha ido ao quarto da Rita. Ouvi a Joana a ir à casa-de-banho e quando eu ia a sair do quarto da Rita ela tinha acabado de se deitar e gritou "Mãiiiiiiiiiiiii, sonho maaaau!" Oh Joana! Acabaste de te levantar, estavas acordada, é impossível teres acabado de ter um sonho mau.

Nem piou.


Hoje à noite foi pior, chamou o Nuno à mesma hora de sempre, tão querida, para lhe dizer que tinha comichão no olho. O que é que dá vontade? Pois.

Isto é giro, anuncia-se que não se vai escrever muito e tal e depois escreve-se um post interminável destes. E eu que nem sou do contra.

Ou se calhar até sou.

Tenho escrito muito pouco

é verdade. Além do muito trabalho que tenho em mãos (felizmente!) e que me retira o tempo que tinha para estas coisas, a vontade de escrever também não tem sido muita. Aliás, ando um bocado saturada desta coisas dos blogues. Isto torna-se viciante e às tantas temos 20 blogues para ler diariamente. Se estamos sem ler durante uns dias, então o número de posts acumula-se drasticamente e o prazer de ler passa a tensão para despachar os blogues em atraso e ter todas as leituras em dia. E estou um bocado farta, confesso. Do tempo que se "perde" nisto.

O tempo não chega para tudo. E temos que fazer escolhas. O meu blog vai continuar, mas com posts mais espaçados no tempo, sem aquela obrigação, que me cria alguma tensão, de escrever qualquer coisa todos os dias.

Espero que mesmo assim, continuem por cá.

29.5.09

Ando com pouca vontade de escrever

porque ando com um nó no estômago com tudo o que tenho visto sobre a menina que foi para a Rússia. Até me custa vir aqui contar novidades, ou desabafar sobre a Joana que anda mal-comportada na escola ou sobre a Rita que continua com tosse e que vai ter que repetir um Rx aos pulmões. Porque a Alexandra não me sai da cabeça.

Já vi muitas imagens revoltantes, mas ontem quando vi o terror nos olhos dela quando ainda estava dentro do carro prestes a ser entregue à Segurança Social, fiquei transtornada. Era um sofrimento tão profundo que até doía cá dentro. E o olhar dela vazio quando é impelida a dar um beijo a uma Avó que não conhece. Uma "mãe" que bebe cerveja ao pequeno-almoço e que só pode estar alcoolizada para lhe dar aqueles tabefes em frente à televisão. A cama dela por cima do forno. A ausência de afectos.

É tão mau tão mau. O que sentirá ela, à noite quando vai dormir e sente a dor da saudade? Como é que se faz uma coisa destas a uma criança? Se ainda conseguíssemos sentir que esta nova mãe estava decidida em lhe dar um lar, (como tudo o que isso implica, e não apenas as quatro paredes), que seria capaz de a compensar afectivamente de forma a diluir a dor que a menina sente por ver a sua vida a desabar, mas vemos exactamente o contrário.

O pior é a sensação de impotência e saber que esta decisão é irreversível. E que vai ser mais uma criança disfuncional neste mundo, rodeada de crueldade e falta de amor.

28.5.09

Imprescindível


para quem tem miúdos que anseiam pela festa de anos do próximo ano, logo no dia a seguir à sua festa de anos deste ano. Tem muitos espaços dos quais nunca tinha ouvido falar e que me parecem bem engraçados para todo o tipo de festas e para todo o tipo de bolsos. Inverno ou Verão, há ideias para todos os gostos. E como eles próprios escrevem "este guia não é uma lista.(...) Este guia diz tudo o que lhe interessa. (...) Tudo para que não tenha de voltar a temer o dia de aniversário do seu filho, como já aconteceu. (...)". A não perder.

26.5.09

Hoje entrei para as estatísticas

da malta com colesterol alto. E estou chateada. Porque me vou ter que privar de todas aquelas coisas que gosto de comer. Principalmente às 23h que é quando o meu corpo pede uma ceia jeitosa. Ver a Oprah ou uma série engraçada sem uma tijela de chantili ou um petit gateau do Pingo Doce (que só precisa de um aquecimento de 48 segundos no micro-ondas e fica pronto a devorar), não faz sentido. O corpo pede e eu dou. Se não dou, metade do gozo do descanso vai pelo cano a baixo porque em vez de estar a ver televisão ou a ler qualquer coisa descansada, estou a pensar numa torradinha cheia de manteiga ou marmelada.

Hoje fui ao supermercado e aventurei-me no mundo dos produtos que prometem baixar o colesterol. Assustei-me com os preços e acabei por trazer só um pacotinho de Becel. Ao almoço lá me preparei para me lambuzar com umas fatias de pão com creme vegetal mas entrei em estado de choque. Além de não ter sal, não tem sabor. Minha querida manteiga... Mas vou insistir, pode ser que me habitue. Porque o ser humano felizmente ou infelizmente tem esta capacidade de se conformar.

Além disso, dizem que o desporto também faz bem. Acho que é desta que vou começar a dar uso ao trambolho cá de casa.

Até ao Verão tenho que despachar este problema, porque o Brasil espera-me. E Brasil sem 4 tapiocas por dia, não é Brasil. Mesmo que depois tenha que regressar à Becel.

22.5.09

No fim-de-semana passado

Marvão (lindo!), Castelo de Vide, Elvas e arredores. Parámos perto da Barragem da Póvoa com um espaço fantástico para eles brincarem, correrem, andarem de bicicleta com a Ribeira de Nisa como paisagem e com muitas cegonhas a planarem por ali. Melhor spot do fim-de-semana.

Em Arronches vimos pinturas rupestres, bonecos pintados em rochas com tinta cor de ferrugem que já ali estão há muito muito tempo. Muitas ruas e ruelas, casinhas caiadas, muito sol, óptimos banquetes a preços muito acessíveis, já que as doses no Alentejo são sempre generosas. Ainda passámos perto de Évora para fazer o percurso megalítico da zona: o
Cromeleque dos Almendres, as Antas e um Menir.

Um passeio que se faz lindamente saindo de Lisboa só no sábado de manhã e voltando domingo ao fim do dia. Para festejar os meus aninhos, claro está que não podia deixar de ir laurear a pevide.

21.5.09

A minha Mãe

surpreende-me sempre com os arranjos de flores mais lindos do mundo!

19.5.09

A casa foi invadida pelo marido.

É o que dá usar a mesma password há 300 anos e andar a pedir cartinhas de amor daquelas que ele me escrevia antigamente (tão velhos que nós estamos ahahah). Só vi a surpresa ontem à noite quando regressei da casa dos meus pais, depois da festarola e vi na minha caixa de emails alguns comentários emocionados a algo que eu não tinha escrito.

Gostei tanto. Conhece-me tão bem.
E descreve-me ainda melhor. Quem tem um marido assim, tem tudo.

18.5.09

33 (Surpresa do Nuno)

Trinta e três. Conhecemo-nos com metade da idade que tens agora. Sempre viva, alegre e luminosa. Como um sol...mas mais intensa. Como um arco-íris...mas mais colorida. Para ti tudo só faz sentido se verdadeiramente vivido. Sem meios-termos. Ou é bom ou é mau. Ou faz rir ou é chato. Não consegues viver doutra forma que não seja naquele limbo entre o exagero e o desespero. Por isso és tão exigente para com a Vida e por isso enches a nossa de cor e entusiasmo. A minha e a das nossas filhas. Que não podiam ter melhor mãe... pela tua entrega e pela cor que dás à vida delas. E como dás... tudo nelas é teu (à excepção dos olhos e narizes)! Os ganchinhos, as pinturas, as comidas, os gritos, a televisão, as roupinhas, os pormenores, as birras, a meiguice...enfim, tudo o que lhes dás...E para isso só precisas de duas coisas. Dormir...que é o alimento da tua vida. E comer...que é o que sossega o teu corpinho. Que não te tirem nem um nem outro...! Ou então que te tirem, mas que não se aproximem. Já lá vão muitos anos juntos e é incrível ver o tempo a passar... Mais velhos, mais chatos, mais pais, mais...unos. O resto é conversa...

Diga lá: trinta e três.

Hoje foi o Nuno que as levou à escola e pude tomar um banho com calma, pôr os cremes todos que não ponho o resto do ano e vestir-me sem ter a Rita a pôr desodorizante nas orelhas e nos dedos dos pés. Mas depois exagerei no tratamento especial. Vi a balança ali ao pé e pesei-me. Um gritinho de horror e guardei-a bem escondida, nem a quero ver.

Nunca estive tão pesada, sem estar grávida. Nem digo gorda, porque cai-me tudo em cima, mas realmente o corpo já não é o que era. Apesar de não fazer nenhumas restrições aos meus banquetes fora de horas, noto que a comida já não se aloja nos cotovelos ou nas plantas dos pés e fica ali mesmo pela barriga. E eu como mesmo muito. E não sei o que é isso de não comer tudo o que me apetece. Não sei viver de outra maneira.

Mas enfim, hoje faço anos, vou almoçar fora e não quero saber, vou comer o pão todo do couvert como é meu hábito e mandar vir mais logo a seguir. Vou jantar repimpada e trazer para casa o bolo de anos que sobrar. E nem vou falar dos cabelos brancos que vieram fazer companhia ao outro desalinhado que descobri o ano passado por esta altura. Pode ser que com 33 anos me emancipe e comece a fazer as tais nuances que a minha cabeleireira me impinge há anos.

Mas as minhas filhas acham que ainda sou nova para dar cambalhotas naquelas barras de metal, em cima da cama e debaixo de água. E portanto, hoje nada me preocupa. Amanhã logo começo a dieta.

13.5.09

Há uns dias

encontrei a Joana chorosa no recreio porque tinha feridas debaixo da maior parte das unhas das mãos. Que tinha andado a subir à árvore e que se deve ter arranhado toda. Olhei para as unhas e achei estranhíssimo, mas ok, estavam vermelhas por baixo com o que parecia um cortezinho fininho. Não pude ver como deve ser, porque já em alvoroço com a ideia que tinha os dedos todos cortados, nem me deixou olhar para os dedos com olhos de ver.

Chegadas ao carro, suplicou-me que lhe tapasse cada dedo com um penso. Porque com elas é assim, não há mal que não se cure com um penso. Apaga a dor da ferida e da alma e acalma as hostes. E a Joana é perita em fitas. Qualquer coisa deste género dá lugar a uma choradeira monumental, parece uma sirene de uma ambulância e às vezes só apetece abaná-la para a tirar do transe da fita.


No carro, lá tinha eu daqueles pensos que se compram nos semáforos e para não a ter que ouvir, cobri um a um cada dedinho. Achei estranho mesmo assim a fita não estar a ser maior. Parecia uma tontinha com os dedos cobertos de pensos só nas pontas mas lá fomos à nossa vida.

Passadas horas, horas! naquela figura e em conversa banal, pediu-me para adivinhar que cor de plasticina tinha estado a moldar nesse dia. (gosta sempre de me fazer estes quizz's. Sem pistas lá tenho eu que dizer várias hipóteses até acertar). Mas nesse dia não tive que ir muito longe. Parei, juntei 1+1 e disse-lhe: Não me digas que foi plasticina vermelha.

E foi. O risquinho de sangue que se vislumbrava debaixo das unhas. Pois. Era plasticina. Bem eu achava que a fita até estava a ser mais pequena do que é costume para feridas em quase todos os dedos. E não foi ela que me tentou enganar, ela pensava mesmo que se tinha aleijado. Em minha defesa friso que não pude vislumbrar as unhas por mais do que 2 segundos e assim com ela aos saltinhos, a gemer de dor que afinal não existia e com as mãos a mexer muito para eu não lhes poder tocar. Só para que conste.

11.5.09

O Nuno é teimoso.

Eu também. Quando mete uma coisa na cabeça é para ser feita. Eu já nem por isso. Tenho o defeito de só ser muito perseverante em algumas coisas, não em todas. E de ser selectiva na teimosia. Mas isto não é sobre mim. É sobre ele, que ontem se superou.

Quando ouvi pela primeira vez que estava a pensar correr uma maratona, saltaram-me logo as garras para fora, que nem pensar, que ai o teu coração, que ai ainda te explode para aí uma artéria na cabeça, que não, olha que tens duas filhas, que não quero ficar viúva tão cedo e que vá lá não te metas nisso, deixa lá essas coisas para os quenianos.


Mas é teimoso, já disse? E portanto sossegou-me que ia ter cuidado, que ia monotorizar o coração e que se não se sentisse bem que parava. Até ontem o máximo que tinha corrido tinham sido 25 quilómetros no fim-de-semana anterior no Alentejo e no fim acabou "esquisito". Esquisito para mim faz-me logo lembrar falta de sangue para pulsar o coração, ou uma bolha latejante na cabeça prestes a explodir, ou uma pessoa muito pálida a cair para o lado com um baque qualquer. Enfim, achei que era de loucos, mas que apesar de tudo, ele estava em forma e portanto não duvidava que ele conseguisse.
Passadas quatro horas em casa achei que se não tinha desistido até essa altura, ia conseguir terminar. Peguei nas miúdas e fomos para a meta. Gritar pelo nosso paizão campeão e pelo tio Ricardo que merecia uma grande trolitada na cabeça por nos meter em apuros como estes. Muito gostam eles de desafios. Chatos.

Ainda vinha a uns 500 metros quando reconheci o vermelho da camisola, a silhueta, o mano velho ao lado. Inteirinho e a arrastar-se. Surpreendido quando nos viu, emocionado posso dizer. Conseguiu. E nós batemos muitas palmas e ficámos muito orgulhosas do nosso Nuninho. E esperamos que não se meta noutra tão cedo e que arranjem desafios mais caseiros, mais interessantes tipo ver quem consegue lavar a louça mais depressa ou quem consegue durante um mês baixar o tampo da sanita mais vezes. Isso sim, são desafios admiráveis. Quais maratonas...

7.5.09

Esta semana

tenho andado atrapalhada com trabalhos com prazos mais apertados por isso ainda nem tive oportunidade de me babar um bocadinho com os presentes de Dia da Mãe que recebi das meninas.

Foram duas manhãs com festinha na sala de cada uma, com surpresas, trabalhinhos e muito mimo. A Joana andava em pulgas e da boquinha dela nada saiu para estragar a surpresa. A Rita andava meia baralhada com tantos dias da Mãe, mas adorou ter-me lá a participar numa aula de música.

Da Rita recebi um quadro lindo e cor-de-rosa com os seus pezinhos pintados. Que pezinhos tão grandes, achei eu. Porque no dia-a-dia não se repara nessas coisas e só nos apercebemos que cresceram quando já não cabem no sapato. Cantámos músicas, uma dedicada à Mãe e tocámos instrumentos. A nós calhou-nos a pandeireta. No fim ficou um coro de partir o coração de meninos lavados em lágrimas ao verem as suas mãe a virem embora.

Da Joana recebi um maravilhoso livro com receitas pedidas misteriosamente pela educadora a cada mãe há algumas semanas atrás. Ainda fiquei a saber que na sua cabeça o meu prato preferido é carne com batata frita e que o prato que mais gosta que lhe cozinhe é douradinhos com massa. Ouvimos um texto declamado por cada um com frases sobre mães do género "uma mãe cheira sempre bem", "uma mãe gosta de vestidos novos", "uma mãe não gosta que os filhos estejam doentes e cura-os com beijinhos", "uma mãe não gosta que tragam reprimendas da escola" e "uma mãe gosta de ver os seus filhos a comerem legumes" (frase da Joana). Depois uma versão da Laurindinha vem à janela com a letra dedicada às mães, que eles cantaram com fervor e que nós acompanhámos com algum pudor, que as vozes de criança têm graça quando desafinadas mas as das mães nem por isso. : )

Do resto da semana posso destacar a borbulha gigante e em ferida na perna da Rita que a deixou à beira de um ataque de nervos. E a mim também. O que vale é que já teve varicela! E ainda um lindo espectáculo de se ver com a Joana e uma amiga à estalada no recreio com marcas das respectivas mãos na perna e costas de cada uma. O que vale é que hoje já é 6ª feira. Bom fim-de-semana.

4.5.09

Fim-de-semana


com calor sabe a férias. O ponto alto do fim-de-semana foi o fim de tarde quentinho em que nos sentámos à sombrinha a descascar favas que vieram directamente da horta. A mim transportou-me até à minha infância quando descascava os feijões que vinham do quintal da minha Avó e delirava sempre que, no meio da cores normais, aparecia um azul clarinho ou cor-de-rosa.

A prima Sofia teve as bruxinhas sempre à sua volta e dá gosto ver a alegria e o sorriso lindo que nos oferece a toda a hora. Com as primas abana tantos os bracinhos que parece que vai levantar voo.

Que o calorzinho venha para ficar.