20.4.10

O balanço da neve

para a Joana foram 7 pontos no queixo e um dente definitivo que voltou a enterrar-se na gengiva. Agora está óptima, tirou os pontos no domingo pelas mãozinhas pacientes da avó Bia. O dente ainda vai ter que ser visto. Só estou à espera que tudo sare dentro da boca para a levar à dentista, mas quase de certeza que vai ter que usar um aparelho para o endireitar.

Foi no último dia, antes do regresso, última pista, última descida. Eu estava cá em baixo com a Rita que só queria era brincar na neve, com as forminhas e pás da praia. A Joana foi como de costume com o Nuno lá para cima para uma pista azul, larga e com pouca gente. Estranhei a demora e quando recebo uma sms do Nuno a dizer que a Joana se tinha aleijado mas estava bem, fiquei sem pinga de sangue. Ligeiramente mais calma quando falei com ele, mas quando vi a mota com os paramédicos que traziam a Joana enfiada numa maca toda fechada e com a cabeça toda enrolada com ligaduras, só se viam os olhos e o nariz, assustei-me. Ela tadinha só chorava e gritava que não queria ser cosida, que só queria um penso. Lá foi ela de maca com o Nuno até aos teleféricos e eu carregada com os skis, com as botas, a mochila, a Rita a andar o mais rápido que podia.

De cadeira de rodas e toda ensaguentada, foi sempre a chorar teleférico abaixo, que lhe doía o dente. Quando vi mais tarde o estrafego dentro da boca é que percebi que o impacto tinha sido bem grande. Tínhamos uma ambulância à nossa espera e deram-lhe logo este ursinho para a acalmar. E acalmou mesmo. Levou anestesia geral e puderam cosê-la com calma e até chamaram um dentista para ver o estado dos dentes. Quando acordou e percebeu que tinha sido cosida a dormir ficou super aliviada. Eu é que estava um bocado preocupada com os delírios dela. Fazia constantemente as mesmas perguntas, via-me com quatro olhos e via duas Ritas no quarto. Chegou a ver um homem deitado na cama ao lado (que estava vazia) a quem chamou Zé Ninguém. Alucinações à parte, fomos muito bem tratados. E passado umas horas, os delírios foram passando.


Em relação à queda, foi estranho, porque era uma pista bastante larga quase sem ninguém. A Joana ia a esquiar lindamente de um lado para o outro, muito concentrada mas, do que ela se lembra, olhou para trás e quando se virou novamente não conseguiu evitar um grupo de quatro adultos que estavam parados numa ponta. Vá lá que essas pessoas eram da organização de umas corridas na pista ao lado e trataram dela logo ali. Sacaram dum estojo de primeiros socorros, enfaixaram-na, deitaram-na, chamaram os paramédicos. Enfim, ao menos estrampalhou-se contra alguém como deve ser. : )

Foi um sustinho, mas ainda assim teve sorte de não lhe ter acontecido algo pior. Agora é andar mais em cima dela, pô-la em aulas e refrear a mania das velocidades. Que o meu coraçãozinho não aguenta.

14.4.10

Garmish-Partenkirchen.


Fomos todos de viagem para a Baviera. Nós, avós, tios e sobrinha. Tudo tão bonito, as casas decoradas com frescos fabulosos, ruas muito limpas, sem cocós de cão de metro em metro, um tempo excelente, muito sol e temperaturas amenas, muitos passeios todos enfiados numa Vito, muito boa disposição, comida para enfarta-brutos, algumas saudades de peixinho. Como ponto alto, a visita ao Castelo do Luís da Baviera. Lindíssimo. Parece saído de um conto de fadas.

Ali mesmo ao lado uma estância de ski, com pistas largas com pouca gente, perfeitas para medrosas como eu e iniciantes como as meninas. Ainda consegui passar uma vergonha nas cadeiras, porque recusava-me a ir sozinha, apesar de serem as cadeiras mais lentas que vi até hoje. Uma das vezes em que fui com o Nuno passei a cancela depressa demais e o Nuno ficou para trás, ou seja, teria que ir completamente sozinha na cadeira. Entrei em modo pânico-total e não estive com modas. Atirei-me toda para o chão, completamente deitada, tiveram que parar as cadeiras porque estava a segundos de levar com umas pelas costas e tiveram que me ajudar a levantar porque não era capaz. Nem tive coragem de olhar para trás para todos aqueles pros, aquelas crianças recém-nascidas que andam de ski de olhos fechados e aqueles adultos cheios de estilo que fazem aquilo com uma pernas às costas. Ri-me. Pedi desculpa ao senhor das cadeiras e lá fui eu repimpadinha com companhia. A Joana só dizia oh mãe... és mesmo maluca.

Depois, numa outra volta também com o Nuno aconteceu-me precisamente a mesma coisa. Suspeito que ele fez de propósito, ou então não, que as cancelas eram tão rápidas que a Joana ficava sempre para trás e o Nuno com ela. Eu com o pânico do costume fazia tudo muito roboticamente e quase nem respirava e se a cancela abria, eu escorregava logo para a frente porque estava colada. Vi-me novamente sozinha. Olhei para trás e o Nuno disse Vai, vá! e lá fui eu, tão corajosa, rabo espetado, tudo muito bem feitinho. Só que depois não tinha força para baixar aquela protecção onde assentamos os skis. Não conseguia. Tive que me arrastar até ao meio da cadeira e lá nas alturas fazer a minha força máxima e acabei por conseguir. Mas ainda fui alguns minutos assim al naturel. Sem nada a proteger-me de escorregar lá para baixo. O Nuno ia na cadeira atrás e ainda bem que não me ouviu a pregar contra ele. Estava furiosa. O que é facto é que ganhei confiança e depois era ver-me fazer pistas sozinha e andar nas cadeiras sozinha também toda inchada de coragem e orgulho em mim.

As meninas esquiaram lindamente para o que era esperado. A Joana surpreende-me sempre por ser tão destemida neste género de coisas e era como se já tivesse esquiado a vida toda. A Rita começou a medo mas no 2º dia já descia as pistas dos iniciados sozinha. Eu para a qualidade da neve, cheia de gelo, lá me ia queixando quando não conseguia travar mas penso que evoluí um bocadinho. Comecei bem medrosa mas no fim já estava muito à vontade. Rogava pragas às pistas com sombra que me punham a velocidades impensáveis. Gosto de descer calmamente, com tudo controladinho, de um lado para o outro. Já consigo respirar nas cadeiras e até tiro fotografias e quando vou a descer pistas já consigo virar sem estudar a qualidade da neve exaustivamente. Grandes progressos para mim. Mas preciso de aulas.

No último dia de neve um grande susto. Mas fica para outro post que este fica só para as coisas boas.

30.3.10

...

Como já me deixaram um comentário a interpretar esta foto, quero desde já acalmar novamente as mentes procriadoras e dizer que esta foto é mesmo só um foto sem qualquer propósito em especial. Foi apenas para surpreender as meninas. Parvoíces minhas : )

(Mas achei um piadão ao comentário. Até era uma maneira bem original de dar a notícia.)

29.3.10

Sábado.

E agora já só querem andar de patins. A Joana aprendeu sozinha, nunca tinha andado e agora já desce rampas de skate, daquelas mesmo agrestes. Precisa urgentemente de uma protecção para o rabiosque porque quando cai é sempre em cima dele. É muito destemida. Quem me dera a mim ter 1% da coragem dela. Também comprei uns, mas meto-me em cima deles e nem para a frente nem para trás. Fico estática e ai de alguém que me toque.

A Rita há-de lá ir. Para já desce umas rampinhas bem suaves mas ainda grita pelo caminho por ajuda. Mas já consegue corrigir a direcção se vir que está quase a ir para as silvas.

Aqui foi no Parque Ribeirinho de Vila Nova da Barquinha. Um dos nossos spots preferidos para dias assim amenos e solarengos e quando queremos fugir das enchentes de Lisboa.

Ah, quanto à recaída da Rita durou só um dia. Longe da vista, longe do coração.

25.3.10

24.3.10

Ontem, estava eu a fazer o jantar

e aparece-me a Rita nestes preparos. Quase um ano depois de ter deixado a chucha, desencantou uma de um nenuco perdida no meio de tantas outras coisas. E agarrou-se a ela com unhas e dentes. Consegui que não dormisse com ela, mas hoje quis levá-la para a escola. Será possível uma recaída? É que se ela me aparece hoje de chucha atiro-a logo para meio dos carros. À chucha, não à Rita. : )

Dou-lhe já o sumiço.

22.3.10

Hoje estou com o andar

à Patrick Swayze. Aquele andar robótico em que as pernas quase não dobram. Ontem corri pela primeira vez a mini-maratona e consegui fazer os quase 8 km a correr. Estive 1h05 a esfalfar-me. Tirando 100 metros em que fui em passo acelerado pois as pulsações já estavam altas demais para o meu gosto.

A parte da ponte é muito engraçada, a vista é linda mesmo com algum nevoeiro. Faz-se bem depressa mas é tanta gente que o objectivo é tentar não tropeçar nas pessoas que vão a correr e travam de repente ou as que correm aos zig-zags. E não escorregar nas grelhas que fazem aquele barulho tão característico da Ponte quando lá passamos de carro. São trilhos sem gente para ultrapassar, mas é muito fácil torcer o pé ou escorregar.

É giro ver as pessoas espalhadas pela rua que nos aplaudem como se fôssemos uma Rosa Mota. Parece irrelevante mas até ajuda. Levamos encontrões a toda a hora de pessoas suadas e fedorentas e vemos passar os da meia-maratona a correr 3 vezes mais rápido que nós para uma distância 3 vezes maior também. Sentimo-nos o palhaço pobre no meio do povo enquanto os da meia têm uma estrada só para eles. : )

O pensinho no nariz, apesar de ridículo, faz mesmo toda a diferença e é uma desilusão não poder respirar tão bem o resto do tempo. Que vontade que eu tenho de endireitar o nariz por dentro para poder respirar como deve ser.

No fim é um alívio vislumbrar a meta e um orgulho quando conseguimos fazer mais do que estávamos à espera. O meu pensamento quando parei resumia-se a comida. Queria um hamburger do macdonalds mais do que tudo na vida.

11.3.10

iiii

A "pinchêja" faz hoje 4 anos e continua do mais coquete que há. Vive num mundo cor-de-rosa e já me disse até que queria ter olhos dessa cor. Adora coisas de princesa e coitada, ainda não lhe fiz a vontade de a vestir assim no Carnaval. Shame on me. Mas tem uma série de pirosadas para vestir dentro das quatro paredes da nossa casa e a primeira coisa que faz quando chega a casa da escola é pôr uma das suas coroas na cabeça. A partir daí sente-se completa.

Muitas vezes dorme com ela na cabeça, com óculos escuros, três bonecos (o coelho, o xuxu e o dibo) e uma fralda de pano. Se acorda de noite e não sente tudo ali por cima dela, não consegue voltar a adormecer. No outro dia apareceu-me eram 7 e pouco da manhã no quarto, ainda tudo a dormir, e ela já artilhada de coroa, óculos escuros e carregada de bonecos. Até me assustei com o estaminé. Adora a sua cama grande, mas dorme no buraco entre a parede e o colchão. Um dinheirão que nos custou o colchão e a miúda enfia-se no buraco.


Adora banhos de imersão e sai sempre encarquilhada até ao tutano, mas ainda berra horrores para lavar a cabeça. É só uma pinga entrar no ouvido e está o caldo entornado. Mas depois é capaz de dar mergulhos na maior. É só para chatear. Faz parte, o colapso nervoso à hora de lavar a cabeça.


Detesta as aulas de ginástica na escola. Depois até corre relativamente bem, apesar de estar hiper-sensível e abrir a goela se lhe cai um gancho, mas de manhã é uma fita daquelas para vestir o fato de treino. É azul escuro. Se calhar é aí que está o problema. Se fosse rója...

Adora brincar às escolas e ser a aluna nova. Eu sou sempre a aluna mal-comportada que lhe faço a vida negra e a Joana, claro, a professora que até dá reguadas. Medo.


Tem períodos do dia em que fala à bebé. É uma mimalhice e ainda por cima como sabe que nos chateia, ainda faz pior. Depois esquece-se e fala normalmente. E fala tão bem. Quando lhe dá para emancipação decide que é um dia especial e que vai fazer tudo sozinha. Dura aí um minuto se tanto, mas é anunciado com grande pompa e circunstância. Mesmo assim lá se vai vestindo sozinha a seguir ao banho e põe ela o cinto de segurança quando está para aí virada. Mas a comer é que é uma preguiçosa do pior, e acabo por lhe dar a refeição toda à boca para me despachar. Tenho que começar a deixar-me disto. É preguicite aguda pura.

Continua muito gulosa e é uma luta diária porque quer pastilhas todos os dias quando sai da escola. Adora sushi e isso sim, come sozinha e com pauzinhos (com elástico). Quando faz cocó faz-me ir lá sempre ver se é "cocó do bom ou diarreia". Já é um clássico. Diz boa fixe quando quer dizer bueda fixe e continua a deixar um rasto de desarrumação por onde passa e faz-se sempre de desentendida quando é para arrumar.

Está sempre ferrada a dormir de manhã durante os dias de escola mas ao fim-de-semana acorda cedíssimo, ainda mais cedo que durante a semana. É um fenómeno que eu gostava que alguém me explicasse e que me irrita solenemente.

Continua muito meiguinha, gosta de dar beijinhos melosos e de dizer que gosta muito de nós. No outro dia apontou para uma parte da minha banha.. quer dizer, barriga e disse que quando estava na minha barriguinha, ali na zona do baço era a sala, no fígado a casa-de-banho e perto do estômago o quarto. É muito muito doce. E adora que conversem com ela e lhe dêem atenção exclusiva. Se lhe derem uns pincéis e tintas para as mãos e pintarem com ela, então é o sonho.

Faz hoje 4 anos e vai ter tudo cor-de-rosa na sua festinha com a família. Mas antes, vermelho e branco. Vai à Catedral pela primeira vez ver o glorioso. E ai que haja desfeita!

8.3.10

Isto aqui anda um bocadinho paradote...

ao contrário de mim que ando cada vez mais activa.

Continuo com as corridas diárias no trambolho e cada vez gosto mais. Hoje pela primeira vez consegui correr 15 minutos de seguida sem ter que descansar a meio. Eu sei que para quem corre há algum tempo, isto é uma miseriazinha, mas para mim que sou uma preguiçosa do pior, que até acha uma trabalheira ter que calçar uns ténis, é um feito.
Agora a ideia é ir até à meia hora de seguida a correr e mais tarde aumentar a velocidade de corrida.

Continua a irritar-me o número de calorias que queimo. Umas míseras 150. Fiquei espantada quando soube que o Nuno na maratona gastou 5000. Ora aí está um número simpático. Dava para comer todo o chantili às colheres que quisesse e arrufadas de cinco em cino minutos.

Uma coisa que estranho é que desde que comecei nunca senti uma, umazinha que fosse, dorzita muscular nas pernas. Nada. Elas fartam-se de bombar e os músculos não se ressentem? Assim a celulite não descola. E a firmeza fica pelo caminho.

A parte que eu gosto é de me superar, devagarinho mas vou conseguindo. E a sensação que dá de nos sentirmos mais elegantes, apesar de até estarmos iguais e mais saudáveis, apesar de continuarmos a comer porcarias. É assim uma aura de saúde que emana de mim nos dias em que corro.

A parte chata é o tédio. Hoje até conseguia correr mais tempo, até aumentei a velocidade no fim, mas estava tão entediada. É que a passadeira chateia como tudo, não há nada para fazer, nada para ver, sempre a olhar para ao mesmo sítio que no meu caso é uma parede branca. Se olho para ela começo a ter visões. Olhar para os pés e esmiufrar todos os pormenores dos ténis, dá-me tonturas. Resta-me olhar para a passadeira. Já estudei todos os cantinhos que há para estudar, já me irritei com o pó que descubro em todo o lado, o cotão aos saltos a chamar por mim. Penso sempre em limpar quando acabar mas esqueço-me sempre. No dia seguinte lá está ele a troçar de mim. Qualquer dia engole-me a mim e à passadeira. Restam-me os joguinhos com os números do painel. Invento contas, simetrias e sequências malucas. Fora as instruções em português e em inglês que já sei de cor. Resumindo, já não a posso ver. Sempre preta, com pó e com os mesmos números a tentarem enloquecer-me.

Ouço num radiozinho com fones as notícias da tsf e lá me distraio minimamente. Acho que meia hora disto vai-me entediar de morte. Preciso de um ipod. Faço anos dia 18 de Maio. Juntem-se todos e vá. A ideia não foi minha. Mas foi muito boa.

25.2.10

Há quem seja viciado em compras

ou em álcool, ou no jogo. Ou mesmo em coisas piores

Eu sou viciada em pães de leite. E arrufadas.

Arrufadinhas quentinhas acabadinhas de sair do forno, com açucar em pó por cima. Do Pingo Doce. Feitas na padaria. Nada de coisas industriais e embrulhadas em papel transparente e com etiquetas cheias de E-330 e gorduras saturadas ou poli-saturadas e outros venenos do género. Arrufadinhas amarelinhas, já disse que são quentinhas?, nas prateleiras da padaria, a chamar por mim. Inês! Inêêês! Estamos aquiiiiii. A tua pança que vá dar uma volta ao bilhar grande. Leva-nos para casa! Somos tão fofinhas, quentinhas, amarelinhas, saborosinhas, cheias de caloriazinhas. E eu, tapo os olhos, fujo, vou para o corredor dos detergentes, do vinho branco, e das fraldas que elas já nem usam. Mas elas não se apoquentam e falam ao microfone. Inêêês!! Tu até já corres todos os dias. Pelo menos uma de nós tu abates na corrida, as outras pronto, ficam alojadinhas à volta do teu umbigo. Do teu umbigo, ahahah, gostaste?

Não, nãooooo. Porque eu sou uma adicta. Eu não tenho auto-controlo. Não me fico por uma. Como quatro de seguida. Se comprar seis, como seis. Vocês não querem viver? Querem ser devoradas assim de repente enquanto vou a conduzir do Pingo-doce-de-janeiro-a-janeiro para casa e deixo o volante cheio de açucar em pó? É decandente, decadente.

E aí entram em cena os pães de leite. Que não têm açucar em pó por cima. Só aí são menos, sei lá, 50 calorias? Fofinhos, amarelinhos e quentinhos. Têm é aquela capa castanha por cima, que a malta teima em tirar e deitar fora. Pensa, sem açucar em cima. Menos 50 calorias. Cada um. Se comeres 4, são menos 200 calorias.

É horrível, não tenho força de vontade. Passo por elas e fico a fazer contas à vida. Levo 5 arrufadas e 5 pães de leite? Ou levo 6 pães de leite e 4 arrufadas? Ou 6 arrufadas, arrufadinhas e 4 pães de leite. Ou porque não 20 arrufadas e 20 pães de leite? Aaaaaa, run Inês run.

Quando levo só 4 arrufadas e 6 pães de leite já fico feliz por mim. Um dia de cada vez. Hei-de chegar ao dia em que ou estou tão elegante que me posso dar ao luxo de comer sem culpas ou então construo uma clínica de recuperação para adictos em arrufadas e vou para lá viver. Sozinha de certeza. Porque vícios destes não são para qualquer um.

24.2.10

Ainda são pequeninas

e já tenho saudades delas assim. Ando sôfrega a aproveitar o que a Rita ainda tem de bebé e o que a Joana ainda tem de criança pequenina e inocente. É assim uma moinha que me assola de vez em quando e que me faz ter saudades delas ao mesmo tempo que estou com elas.

Até porque se ficar por aqui, que é o mais provável, já não vou ter mais bochechas e barriguinhas espetadas a andar pela casa, e vozinhas de bebé cheias de mimo e crianças que acham que somos a melhor companhia do mundo. Até a birrinha porque uma quer dormir de coroa a aleijar-lhe a cabeça ou a birrinha porque a outra pôs água na sopa porque estava muito grossa e agora tem o dobro da sopa para comer, tem graça, ao fim do dia, quando elas já estão deitadinhas ali mesmo ao lado e nós já temos saudades delas.

E tantas vezes sinto um alívio de as ter finalmente caladas e quedas a dormir nas suas camas e me vou enfiar nos seus lençóis e contemplar aquelas carinhas inchadinhas a dormir e a boquinha aberta e o cabelinho suado e o cheirinho a natas.

Um dia apetecia-me e dizia "hoje quero a Joana com 2 aninhos outra vez". E aparecia-me ela de fraldas, com caracoletas a cobrir-lhe a cabeça e iamos passear aos parquinhos, como quando ainda estava em casa comigo. Ou dizia "hoje quero a Ritinha com 1 ano" e tinha uma criança de chucha, cabelinho com franja, mãozinhas sapudas e viciada em nozes e amêndoas. Depois iam dormir e no dia seguinte voltavam ao normal.

Quando tiverem 15 anos e por aí fora, era capaz de solicitar este serviço de regresso ao passado todos os dias. Porque não me apetece que sejam adolescentes, tenho até bastante aversão a essa fase. Por tudo e por nada. Não que não confie na nossa capacidade de as educar para o que é certo. Mas porque isso só, ajuda bastante mas infelizmente não chega.

Sou do mais saudosista que há. Não fico presa ao passado, aproveito muito bem o que cada fase me traz e sinto que tenho vivido a infância delas de uma maneira muito presente mas se calhar é mesmo por isso que sinto sempre pena do que fica para trás. Saudades. Muitas saudades.

E cada vez que um aniversário delas se aproxima, lá fico eu mais nostálgica com os resquícios de bebezice que se vão perdendo. 4 anos. A Rita já vai fazer 4 anos. Mentaliza-te Inês.

23.2.10

Gadget-princess 2

Cá em casa, não se joga wii de qualquer maneira. É a rigor.

17.2.10

Ao jantar

em plena algazarra com as miúdas a falarem ao mesmo tempo, as duas a quererem que eu as oiça e nenhuma a comer. Um caos daqueles e eu à beira de um berro intimidatório.

Rita: Já sei mãe, jogo do siêncio!

Joana: Boa!

Rita: Então vá, vamos fechar o fecho.

Joana: Já sei, fechamos a boca com o fecho e só abrimos quando for para comer. E atiramos a chave ao lixo.

Rita: Não, não, já sei, já sei. Hããã. Vamos segurar o fecho com a mão e deitar o fecho ao lixo.

Eu: A Joana já disse isso. O jogo começa ou não começa? Ai.

Rita: Já sei (começam sempre assim). Seguramos o fecho na boca a fingir que é uma fita cola, arrancamos e ficamos com a boca fechadinha e já não conseguimos falar.

Eu: (Impossível. Dissertações sobre o jogo do silêncio em pleno jogo do silêncio.) Vamos lá parar de complicar. Jogo do silêncio é bico calado. Vá.

Joana: Boa! Vá, 1, 2, 3.

Rita: ihihihih

Joana: fecha o fecho!

Rita: Já sei! Joana, tens que pôr a mão na boca para apertar o fecho e a outra levanta a colher para comeres. E não podes falar, está bem?

As duas: blá, blá, blá...

Apago a televisão e é vê-las de biquinho calado em dois segundos. Qual fecho fechadinho e atiradinho para o lixo. Eram capazes de continuar nisto a noite inteira. Que gralhas.

12.2.10

Carnavalices.

Este ano, com a filha pirosa tive que me render aos fatos foleiros cheios de tules e cores fluorescentes. Valha-me a Joana que ainda me obedece. Queres ser enfermeira? Está bem, mãe. Uff. Uma já está.

Rita, queres ser uma abelhinha? Não. Quero xer uma pincheeesssa!

Até se me revolveram as entranhas a imaginá-la naqueles fatos da Disney ou dos chineses com saia de roda e coroas cheias de plumas. Vais de fada e é o máximo que eu aguento. Fada da floresta das flores, como ela se auto-intitulou. Depois foi tentar convencê-la a não levar a coroa com luzes psicadélicas. Mas convencer sem ela se aperceber que está a ser convencida. No fim, fica a pensar que foi tudo ideia dela. E então colei numa bandolete umas margaridas e concluí que ainda mando. Um bocadinho, pronto.


À Joana comprei este fato de enfermeira à antiga. Gosto do fato principalmente por não ter cetins e coisas brilhantes. Mas gostei eu e mais não sei quantas mães que passaram pelo toys'r'us, porque este ano o colégio parecia um hospital. O fato é dos 3 aos 6 anos (não havia maior) e portanto dá ideia que ela caiu da roupa, mesmo com bainha postiça. Teve mesmo que levar uma saia azul escura por baixo da bata que foi a parte mais difícil do processo. Mãe, estou ridícula com duas saias.

As galochas não estavam previstas. Mas com o lindo temporal com que fomos brindadas de manhã, teve mesmo que ser. Fotos outdoor como no ano passado, foram impossíveis. Ontem não estava céu limpo??

5.2.10

Gadget-princess.

Sempre este jogo, que é uma verdadeira loucura.

2.2.10

O bolo.

Estava perfeito. A Joana delirou, estava longe de imaginar que seria um bolo com a Florbela. Ficou doida.

A Rita todos os dias pergunta se é o dia dos anos dela e já disse que também quer um bolo com os seus bonecos preferidos.

E claro que o bolo estava delicioso como sempre.
Daqui.

29.1.10

Minha Joaninha,


fazes hoje 7 anos e qualquer dia já lês o meu blog. Tu que já lês, tão crescida que estás.

Ando um bocado irritada com isto do tempo voar. De repente já passou e caiem-te os dentes e nascem-te umas chiqueletes, o cabelo vai perdendo os cachinhos e o pé está quase maior que o meu. Já me pedes para não ficar ao teu lado no cabeleireiro, oh mãe, não é preciso ficares ao pé de mim, vai ver os ganchos. Não era isto que eu pedia há uns anos? Que não fossem tão dependentes de mim, que me dessem espaço e de repente eu quero as noites mal dormidas outra vez.

...

Nãã, pfff, não exageremos. Quero as bochechas e a barriga espetada. Noites mal dormidas esquece lá isso.
Estás alta e continuas a acordar com dores de crescimento do diabo durante a noite.

Páras? Fica pequenina.

Continua a rir-te quando te faço brrrrrr no pescoço. Não deixes de me pedir para me deitar contigo e dizer uma coisa boa e uma coisa má do dia. Apesar de muitas vezes não me apetecer, sei que vou ter saudades quando fores adolescente e tonta e já não me quereres no teu quarto. Dá-me a mão na rua. Continua a ser a primeira a vir para a mesa quando chamo para jantar. Continua a ter adoração à tua família e a dormir com fotografias debaixo da almofada de quem tens saudades nesse dia. Continua a usar ganchinhos e a ter boas notas. Perde lá esse teu mau-perder. Continua a fazer rir os primos bebés e a contar histórias aos avós e novidades aos tios. Mete a camisa para dentro da saia e puxa o autoclismo. Que luta esta do autoclismo. Modera lá as tuas hormonas que te fazem chorar atirada para o chão e rir à gargalhada cinco segundos depois. Há dias que pareces que estás com SPM, tais são as mudanças repentinas de humor.

Continua a andar com a Florbela para todo o lado e comigo a resmungar que depois não a carrego. Continua a coleccionar rolos de papel higiénico para depois pintar. Depois não pintas mas é giro ter um roupeiro cheio de rolos vazios. Continua a acreditar no Pai Natal e na fada dos dentes que nunca te deixa um presente, são sempre moedas de um euro, a forreta. Continua a lembrar-me de te dar a semanada e a deixar-me escolher a tua roupa. Põe de lado a ciumeira da Rita, deixa-te lá disso. Continua a pensar numa vaca num campo cheio de flores cada vez que tens um sonho mau. E a perguntar-me quando fungo pelo nariz, se estou constipada ou se estou triste. Sê mais generosa e humilde. E continua a defender quem está em "apuros", mas por favor não andes à estalada no recreio. E continua a fazer-me rir quando me zango e me dizes que estou a usar muitos pontos de exclamação.

Ai de ti que fiques mais alta do que eu antes dos doze anos.

Continua a ser uma menina linda, por dentro e por fora.
Parabéns! Lê lá: Paa - raa - béééns !

28.1.10

Apresento a Florbela.

Chama-se assim porque tem uma flor na cabeça e é bela. Não confundir com Floribela. Já está na família faz amanhã 6 anos. Foi oferecida pela tia Isabel e tio Ricardo no 1º aniversário da Joana. Andou por ali uns tempos sem grande atenção, mas há uns anitos para cá passou a ser a mais-que-tudo da Joana. Leva-a para onde quer que vá. Se estiver frio, veste-lhe um casaquinho de lã. Para dormir é essencial. Lembro-me numas férias de lhe ter caído uma perna antes de chegarmos ao aeroporto. A cara do polícia a ver a boneca estropiada e uma perna solta a passar pelo RX. Já foi cosida "n" vezes, já perdeu a compostura no pescoço e está sempre de cabeça caída.

Já se casou. Com o coelho da foto (que é a adoração da Rita). Com direito a véu feito de papel higiénico (estávamos nos Açores). Descasou logo no dia seguinte. Afinal o marido é um panda chamado Vicente que é o 2º mais-que-tudo dela. O coelho teve que engolir a desilusão e a Rita interiorizou esta coisa do casar e descasar logo a seguir. Nada bonito.


Isto para dizer que amanhã a Joana faz anos e não tinha nenhuma ideia para o bolo. Lembrei-me que era giro fazer um bolo com a Florbela. É surpresa. Tenho-a torturado com "vais ter um bolo tão giiiiro, mas não te posso dizer!" "Vais amar, mas é segredo!" Anda doida. Amanhã mostro. Agora vou deprimir-me ali para um cantinho porque o meu baby já faz 7 anos. Snif.

23.1.10

Sobre o post anterior.

Sabem lá vocês o que são "os pioneses". (tirando quem tem filhos na sala da Joana, como é óbvio)

O quadro dos pioneses é um registo que a professora da Joana tem para avaliar diariamente uma série de critérios, como sejam a responsabilidade, a apresentação dos trabalhos, os tpc's etc...

Têm várias cores que vai desde o melhor que é o verde escuro até ao pior que ou é o vermelho ou o preto.

Para eles é um orgulho manterem-se com os pioneses todos verdinhos. E cada vez que baixam algum ficam aborrecidos. E pronto, foi o caso. Só porque várias pessoas me disseram que não entenderam o post anterior. Fica a explicação.

20.1.10

Ontem.

Oh mãiiiii...

eu vou ser "muita-crida" e vou-te contar que baixei hoje um pionés. Na apresentação. Eu acho que é por causa dos desenhos... Vês mãe, vês? Podia não te contar. Mas contei.
Fui mesmo boazinha. Não fui?

Oh, obrigada minha filha, pela querideza. Para a próxima ficas sem televisão, mas hoje foste tão fofa, tão queriducha que até te dou um beijinho. O favor que me fizeste em dizer-me. Viste? Não é para todos. És mesmo a maior. Baixaste um pionés? oh deixa lá, o que é isso comparado com a tua "queridice". Anda cá, toma lá mais uma beijoca. Ah miúda gira. Até é fixe ter um pionés de cada cor. A tua filinha fica tipo arco-íris. Fica fashion.

A cara dela... só vista.

Depois voltei ao estado mãe-sermão e ela lá foi à sua vida mais descansada.