28.5.10

Ainda dos meus anos


(que parece que já foi o ano passado!)
Fui buscar as meninas mais cedo e fomos ver a exposição da Joana Vasconcelos que acabava precisamente nesse dia. Estava um dia abrasador, como eu gosto e ainda nos refastelámos lá nos jardim do CCB a comer um gelado. Elas, porque eu não como gelados. Não gosto. Afinal sempre tenho algum juízo. E sorte. Porque quem é que neste mundo não gosta de gelados? Ninguém.

A Joana estava encantada e só me dizia que achava que ir ver uma exposição era uma seca, mas ficou fascinada com tudo. A Rita apaixonou-se pelo sapato de cinderela como seria de esperar. Adorámos, foi mesmo bom ir com elas neste dia.

Depois fui surpreendida por umas queridas amigas que me apareceram em casa com um bolo de milho igualzinho ao meu preferido do Nannai. Uma perdição! Adorei a surpresa.

De presente, entre outros, recebi o meu querido ferro de engomar com caldeira e finalmente o primeiro iPod. Rosa choque. Não fosse a Rita ter ido com o Nuno e ter ajudado a escolher. Tinha de ser o mais folclórico de todos. Depois do choque e de ter precisado de pôr os óculos escuros, agora adoro o meu ipod kitsch.

Enfim, 34 já cá cantam. No outro dia a torturadora que me queimava viva com o laser para tirar o pelame, ficou espantada quando lhe disse que já tinha 34 anos e duas filhas. "ai menina, dava-lhe no máximo dos máximos 21 anos!" Pedi-lhe para repetir e gravei no meu telemóvel para ouvir cada vez que as minhas filhas me dizem que estou velha. É um bálsamo.

24.5.10

Isla Mágica

Desta vez fomos com a boa companhia de uns amigos com filhos da idade das nossas, que sempre que se encontram é como se vissem todos os dias. Dão-se tão bem que até dá gosto vê-los a brincar. A Joana que até é dada a mini-conflitos de poder, com eles fica mansa. A Rita que gosta de se manter à margem de confusões e de brincar muito na dela, andou feliz da vida e entretidíssima com as brincadeiras.

Mais um grande bafo em Sevilha que é perfeito para um passeio destes porque várias das actividades metem água e a Joana teve mesmo que recorrer à muda de roupa do M. tal foi o banho que apanhou no rafting.

Foi muito divertido e desta vez a Rita já podia andar em tudo o que queria, excepto as coisas mais radicais que ficaram reservadas para os destemidos das famílias. Not me.


No domingo ainda aproveitámos o dia na Praia Verde, grandes banhocas num mar mexido, mas com uma temperatura deliciosa, fora do normal.

Ainda na viagem de regresso "meltdown" do costume da Joana com saudades dos companheiros de fim-de-semana. É sempre assim quando se diverte e passa os dias em boa companhia. Uma choradeira mesmo sentida, que até nos parte o coração. Só se acalmou a ver as fotos do fim-de-semana e com a promessa que para a próxima íamos todos juntos ao Parque Warner. Lá estaremos!

17.5.10

Este fim-de-semana

lá andámos novamente de volta das favas. Elas gostam mesmo de andar no meio da terra e do matagal. E das carraças. Por elas andavam sempre descalças, de cuecas e cabelos ao vento no meio da horta. Com as beiças lambuzadas de gelado de chocolate e as unhas pretas por dentro.

Celebrámos três enterros. Com direito a música, transporte num carro funerário, leia-se triciclo, e cruzes feitas de galhos e restos de tecidos. Temos um verdadeiro cemitério atrás dum muro. Um passarinho, um rato e uma rã. Os dois últimos afogados na piscina.

Hoje... ai... último dia com uma idade tão jeitosinha. Amanhã faço 34 anos. E pedi de presente à minha mãe um ferro de engomar. Estou mesmo a ficar velha.

12.5.10

Desde que voltámos da Alemanha

que todas as semanas recebemos uma conta referente ao internamento da Joana. Tem sido uma rambóia de cartas a cobrar tudo e mais um cêntimo. Na altura pagámos ao hospital 200 euros que pensámos que incluísse todo o tratamento. Ingénuos.

Depois do nosso regresso recebemos duas contas. Uma referente à ambulância. Outra referente ao dentista que foi de propósito ao hospital ver o estado interior da boca da Joana. Ok. até aqui tudo bem. Achámos que nos podia ter sido cobrado na altura mas compreendemos.

A maior surpresa veio mais tarde quando recebemos uma carta referente ao salvamento na montanha. Ela estava a uns 200 metros do teleférico e o que fizeram além de lhe enfaixar a cabeça foi transportá-la até ao teleférico. Uma distância mesmo muito pequena porque a Joana espalhou-se já no fim da pista. Mas lá devem ter gasto litros e litros de gasolina e outros recursos porque a conta é de 380 euros. Não queria acreditar na roubalheira. Ainda que a tivessem salvo de helicópetro no alto da montanha enfiada no meio de umas árvores com uma avalanche eminente, até compreendia. Agora uns míseros metros, sem terem que a imobilizar, nem nada do género, não consigo engolir.

Mas anteontem recebemos ainda mais uma. Do hospital. Com tudo discriminadinho, tipo gazes, medicamentos etc. Quase 250 euros. Pergunto eu então a que se referiam os 200 euros que pagámos no próprio dia.

Já estou à espera de uma conta da utilização da cadeira de rodas onde a Joana foi sentada no teleférico e do balão-luva com cara que a anestesista fez para as distrair.

Fomos muito bem tratados, isso fomos, mas para a próxima enganamo-nos na morada quando nos pedirem para preencher papéis.


Isto e mais a fritadeira que avariou. O ferro que pifou. A máquina de lavar-roupa que não tem arranjo e o mini-aspirador que se desfez, já nos andamos a passar.

O tal ursinho saiu-nos caro.

10.5.10

Benfica.

A Rita festeja pela primeira vez este momento Glorioso! E se no início estava um bocado assustada com a confusão e com o abraço do avô que quase lhe partia os ossinhos (tal era a alegria!) depois foi ouvi-la a cantar sem parar o 'tenham cuidado, ele é perigoso' pronta para a festa o resto da noite. Ainda conseguiu desligar as luzes de uma rolote inteira ao pisar um fio no meio de um descampado. Ficou tudo às escuras mas o Benfica ganhou e ninguém leva a mal.

A Joana foi ao jogo, que com o Red Pass tem direito a isso e muito mais. Queria ter ido com o pai noite fora por aí festejar mas quando já era tarde acabou por vir comigo para casa. Ainda nos enfiámos as duas na cama a ver na televisão o autocarro do Benfica a passar ali pela 2ª circular e vimos o Nuno aos saltinhos no Benfica TV. Que chegou a casa encharcado depois de ter corrido vários quilómetros atrás do autocarro. Eu só fui para casa porque alguém tinha que deitar as miúdas, porque senão lá estaria também a pôr em prática os meus dotes de corredora e gritadora. Que ontem até me vieram as lágrimas aos olhos quando o jogo acabou. Roí as unhas todas e nunca mais vejo um jogo desta envergadura sozinha.

Hoje é que foram elas. A Joana ia com um olho aberto e outro fechado. E ainda hoje é segunda-feira. Podiam mudar o último jogo do campeonato para um sábado para as pessoas festejarem sem amanhã. Imagino o mau-humor delas logo ao fim do dia. Não há Benfica que resista.

4.5.10

Estou safa.

Começaram a incluir baunilha na receita das minhas arrufadinhas predilectas. Abomino baunilha. Um bem haja aos senhores pasteleiros do Pingo Doce. Muito agradecida.

3.5.10

Do dia da mãe.

Fiquei a saber que a Rita ainda não sabe guardar segredos e que mesmo eu não perguntando nada (porque sou uma verdadeira santa, não pergunto, não quero saber e até tapo os ouvidos) ela desbronca-se ao ponto de contar quase tudo o que se ia passar na sua festinha de Dia da Mãe na escola. Sempre com cara de segredo, a falar baixinho com risinhos e mãos na boca à mistura. Exagerou um bocadinho e cheguei a pensar que tinha que ir de fato de treino fazer cambalhotas com ela, já que a festa ia ser uma brincadeira na aula de ginástica. Ainda ontem, enquanto a vestia de manhã, me disse para não me esquecer de levar a roupa do ténis porque ia fazer o pino e mais o diabo a sete.

No fim, ainda nos mexemos, mas sempre de cabeça para cima. Aí umas 10 calorias ficaram logo pelo caminho. Mas os alongamentos e consequente vergonha, ficaram reservados às crianças. Ainda bem, porque o meu corpo não alonga, acho que nem quando tinha a idade da Rita alongava. E só de me ajoelhar, dá estalos embaraçosos.

Foi muito divertido e no fim um colar lindaço, com missangas moldadas e pintadas pela Rita. Se calhar ainda a ponho a trabalhar para o umbigo.

Da Joana fiquei a saber que sou "linda como uma flor que brilha num jardim" e que "sou muito amiga dela e fofinha". Um postalinho de babar já escrito com a sua letrinha e com um desenho amoroso.

Mas aqui para nós, que ela até já sabe ler, mas acesso à net só daqui a uns bons aninhos, a prendinha feita na aula de expressão plástica... my Lord... Nós adoramos tudo o que as nossas filhas fazem por mais horrorosas que sejam, é verdade. E o que conta é a intenção e blá blá blá. Mas neste caso um íman que não pega, feito com restos de uma embalagem de suissinho e feijões colados e alguns a cair, foi-me difícil esboçar o meu sorriso derretido do costume. Mas fingi. Ela não percebeu que é o que interessa. Mas com o nível de prendinhas feitas em conjunto com as educadoras nos últimos anos, este professor de expressão plástica deixa muito a desejar em termos de criatividade. Arrisco-me a que me caia novamente a comentadora-professora de expressão plástica em cima, mas se decidem fazer uma lembrança, que seja à séria e não qualquer coisa só para despachar. Acho que é uma boa altura, quanto mais não seja, para pôr em prática o que aprendem ao longo do ano nesta disciplina. Que deve ser mais do que colar feijões no topo de um iogurte velho.


Não quero ser mal-agradecida, porque por muito que o íman seja medonho, foi feito com as mãozinhas dela, com muito empenho e gosto e fica-me no coração. Mas que ainda nos rimos um bocadinho à pala da obra de arte, rimos.


Agora este professor que corre os miúdos todos a "suficientes" vai lá vai...

20.4.10

O balanço da neve

para a Joana foram 7 pontos no queixo e um dente definitivo que voltou a enterrar-se na gengiva. Agora está óptima, tirou os pontos no domingo pelas mãozinhas pacientes da avó Bia. O dente ainda vai ter que ser visto. Só estou à espera que tudo sare dentro da boca para a levar à dentista, mas quase de certeza que vai ter que usar um aparelho para o endireitar.

Foi no último dia, antes do regresso, última pista, última descida. Eu estava cá em baixo com a Rita que só queria era brincar na neve, com as forminhas e pás da praia. A Joana foi como de costume com o Nuno lá para cima para uma pista azul, larga e com pouca gente. Estranhei a demora e quando recebo uma sms do Nuno a dizer que a Joana se tinha aleijado mas estava bem, fiquei sem pinga de sangue. Ligeiramente mais calma quando falei com ele, mas quando vi a mota com os paramédicos que traziam a Joana enfiada numa maca toda fechada e com a cabeça toda enrolada com ligaduras, só se viam os olhos e o nariz, assustei-me. Ela tadinha só chorava e gritava que não queria ser cosida, que só queria um penso. Lá foi ela de maca com o Nuno até aos teleféricos e eu carregada com os skis, com as botas, a mochila, a Rita a andar o mais rápido que podia.

De cadeira de rodas e toda ensaguentada, foi sempre a chorar teleférico abaixo, que lhe doía o dente. Quando vi mais tarde o estrafego dentro da boca é que percebi que o impacto tinha sido bem grande. Tínhamos uma ambulância à nossa espera e deram-lhe logo este ursinho para a acalmar. E acalmou mesmo. Levou anestesia geral e puderam cosê-la com calma e até chamaram um dentista para ver o estado dos dentes. Quando acordou e percebeu que tinha sido cosida a dormir ficou super aliviada. Eu é que estava um bocado preocupada com os delírios dela. Fazia constantemente as mesmas perguntas, via-me com quatro olhos e via duas Ritas no quarto. Chegou a ver um homem deitado na cama ao lado (que estava vazia) a quem chamou Zé Ninguém. Alucinações à parte, fomos muito bem tratados. E passado umas horas, os delírios foram passando.


Em relação à queda, foi estranho, porque era uma pista bastante larga quase sem ninguém. A Joana ia a esquiar lindamente de um lado para o outro, muito concentrada mas, do que ela se lembra, olhou para trás e quando se virou novamente não conseguiu evitar um grupo de quatro adultos que estavam parados numa ponta. Vá lá que essas pessoas eram da organização de umas corridas na pista ao lado e trataram dela logo ali. Sacaram dum estojo de primeiros socorros, enfaixaram-na, deitaram-na, chamaram os paramédicos. Enfim, ao menos estrampalhou-se contra alguém como deve ser. : )

Foi um sustinho, mas ainda assim teve sorte de não lhe ter acontecido algo pior. Agora é andar mais em cima dela, pô-la em aulas e refrear a mania das velocidades. Que o meu coraçãozinho não aguenta.

14.4.10

Garmish-Partenkirchen.


Fomos todos de viagem para a Baviera. Nós, avós, tios e sobrinha. Tudo tão bonito, as casas decoradas com frescos fabulosos, ruas muito limpas, sem cocós de cão de metro em metro, um tempo excelente, muito sol e temperaturas amenas, muitos passeios todos enfiados numa Vito, muito boa disposição, comida para enfarta-brutos, algumas saudades de peixinho. Como ponto alto, a visita ao Castelo do Luís da Baviera. Lindíssimo. Parece saído de um conto de fadas.

Ali mesmo ao lado uma estância de ski, com pistas largas com pouca gente, perfeitas para medrosas como eu e iniciantes como as meninas. Ainda consegui passar uma vergonha nas cadeiras, porque recusava-me a ir sozinha, apesar de serem as cadeiras mais lentas que vi até hoje. Uma das vezes em que fui com o Nuno passei a cancela depressa demais e o Nuno ficou para trás, ou seja, teria que ir completamente sozinha na cadeira. Entrei em modo pânico-total e não estive com modas. Atirei-me toda para o chão, completamente deitada, tiveram que parar as cadeiras porque estava a segundos de levar com umas pelas costas e tiveram que me ajudar a levantar porque não era capaz. Nem tive coragem de olhar para trás para todos aqueles pros, aquelas crianças recém-nascidas que andam de ski de olhos fechados e aqueles adultos cheios de estilo que fazem aquilo com uma pernas às costas. Ri-me. Pedi desculpa ao senhor das cadeiras e lá fui eu repimpadinha com companhia. A Joana só dizia oh mãe... és mesmo maluca.

Depois, numa outra volta também com o Nuno aconteceu-me precisamente a mesma coisa. Suspeito que ele fez de propósito, ou então não, que as cancelas eram tão rápidas que a Joana ficava sempre para trás e o Nuno com ela. Eu com o pânico do costume fazia tudo muito roboticamente e quase nem respirava e se a cancela abria, eu escorregava logo para a frente porque estava colada. Vi-me novamente sozinha. Olhei para trás e o Nuno disse Vai, vá! e lá fui eu, tão corajosa, rabo espetado, tudo muito bem feitinho. Só que depois não tinha força para baixar aquela protecção onde assentamos os skis. Não conseguia. Tive que me arrastar até ao meio da cadeira e lá nas alturas fazer a minha força máxima e acabei por conseguir. Mas ainda fui alguns minutos assim al naturel. Sem nada a proteger-me de escorregar lá para baixo. O Nuno ia na cadeira atrás e ainda bem que não me ouviu a pregar contra ele. Estava furiosa. O que é facto é que ganhei confiança e depois era ver-me fazer pistas sozinha e andar nas cadeiras sozinha também toda inchada de coragem e orgulho em mim.

As meninas esquiaram lindamente para o que era esperado. A Joana surpreende-me sempre por ser tão destemida neste género de coisas e era como se já tivesse esquiado a vida toda. A Rita começou a medo mas no 2º dia já descia as pistas dos iniciados sozinha. Eu para a qualidade da neve, cheia de gelo, lá me ia queixando quando não conseguia travar mas penso que evoluí um bocadinho. Comecei bem medrosa mas no fim já estava muito à vontade. Rogava pragas às pistas com sombra que me punham a velocidades impensáveis. Gosto de descer calmamente, com tudo controladinho, de um lado para o outro. Já consigo respirar nas cadeiras e até tiro fotografias e quando vou a descer pistas já consigo virar sem estudar a qualidade da neve exaustivamente. Grandes progressos para mim. Mas preciso de aulas.

No último dia de neve um grande susto. Mas fica para outro post que este fica só para as coisas boas.

30.3.10

...

Como já me deixaram um comentário a interpretar esta foto, quero desde já acalmar novamente as mentes procriadoras e dizer que esta foto é mesmo só um foto sem qualquer propósito em especial. Foi apenas para surpreender as meninas. Parvoíces minhas : )

(Mas achei um piadão ao comentário. Até era uma maneira bem original de dar a notícia.)

29.3.10

Sábado.

E agora já só querem andar de patins. A Joana aprendeu sozinha, nunca tinha andado e agora já desce rampas de skate, daquelas mesmo agrestes. Precisa urgentemente de uma protecção para o rabiosque porque quando cai é sempre em cima dele. É muito destemida. Quem me dera a mim ter 1% da coragem dela. Também comprei uns, mas meto-me em cima deles e nem para a frente nem para trás. Fico estática e ai de alguém que me toque.

A Rita há-de lá ir. Para já desce umas rampinhas bem suaves mas ainda grita pelo caminho por ajuda. Mas já consegue corrigir a direcção se vir que está quase a ir para as silvas.

Aqui foi no Parque Ribeirinho de Vila Nova da Barquinha. Um dos nossos spots preferidos para dias assim amenos e solarengos e quando queremos fugir das enchentes de Lisboa.

Ah, quanto à recaída da Rita durou só um dia. Longe da vista, longe do coração.

25.3.10

24.3.10

Ontem, estava eu a fazer o jantar

e aparece-me a Rita nestes preparos. Quase um ano depois de ter deixado a chucha, desencantou uma de um nenuco perdida no meio de tantas outras coisas. E agarrou-se a ela com unhas e dentes. Consegui que não dormisse com ela, mas hoje quis levá-la para a escola. Será possível uma recaída? É que se ela me aparece hoje de chucha atiro-a logo para meio dos carros. À chucha, não à Rita. : )

Dou-lhe já o sumiço.

22.3.10

Hoje estou com o andar

à Patrick Swayze. Aquele andar robótico em que as pernas quase não dobram. Ontem corri pela primeira vez a mini-maratona e consegui fazer os quase 8 km a correr. Estive 1h05 a esfalfar-me. Tirando 100 metros em que fui em passo acelerado pois as pulsações já estavam altas demais para o meu gosto.

A parte da ponte é muito engraçada, a vista é linda mesmo com algum nevoeiro. Faz-se bem depressa mas é tanta gente que o objectivo é tentar não tropeçar nas pessoas que vão a correr e travam de repente ou as que correm aos zig-zags. E não escorregar nas grelhas que fazem aquele barulho tão característico da Ponte quando lá passamos de carro. São trilhos sem gente para ultrapassar, mas é muito fácil torcer o pé ou escorregar.

É giro ver as pessoas espalhadas pela rua que nos aplaudem como se fôssemos uma Rosa Mota. Parece irrelevante mas até ajuda. Levamos encontrões a toda a hora de pessoas suadas e fedorentas e vemos passar os da meia-maratona a correr 3 vezes mais rápido que nós para uma distância 3 vezes maior também. Sentimo-nos o palhaço pobre no meio do povo enquanto os da meia têm uma estrada só para eles. : )

O pensinho no nariz, apesar de ridículo, faz mesmo toda a diferença e é uma desilusão não poder respirar tão bem o resto do tempo. Que vontade que eu tenho de endireitar o nariz por dentro para poder respirar como deve ser.

No fim é um alívio vislumbrar a meta e um orgulho quando conseguimos fazer mais do que estávamos à espera. O meu pensamento quando parei resumia-se a comida. Queria um hamburger do macdonalds mais do que tudo na vida.

11.3.10

iiii

A "pinchêja" faz hoje 4 anos e continua do mais coquete que há. Vive num mundo cor-de-rosa e já me disse até que queria ter olhos dessa cor. Adora coisas de princesa e coitada, ainda não lhe fiz a vontade de a vestir assim no Carnaval. Shame on me. Mas tem uma série de pirosadas para vestir dentro das quatro paredes da nossa casa e a primeira coisa que faz quando chega a casa da escola é pôr uma das suas coroas na cabeça. A partir daí sente-se completa.

Muitas vezes dorme com ela na cabeça, com óculos escuros, três bonecos (o coelho, o xuxu e o dibo) e uma fralda de pano. Se acorda de noite e não sente tudo ali por cima dela, não consegue voltar a adormecer. No outro dia apareceu-me eram 7 e pouco da manhã no quarto, ainda tudo a dormir, e ela já artilhada de coroa, óculos escuros e carregada de bonecos. Até me assustei com o estaminé. Adora a sua cama grande, mas dorme no buraco entre a parede e o colchão. Um dinheirão que nos custou o colchão e a miúda enfia-se no buraco.


Adora banhos de imersão e sai sempre encarquilhada até ao tutano, mas ainda berra horrores para lavar a cabeça. É só uma pinga entrar no ouvido e está o caldo entornado. Mas depois é capaz de dar mergulhos na maior. É só para chatear. Faz parte, o colapso nervoso à hora de lavar a cabeça.


Detesta as aulas de ginástica na escola. Depois até corre relativamente bem, apesar de estar hiper-sensível e abrir a goela se lhe cai um gancho, mas de manhã é uma fita daquelas para vestir o fato de treino. É azul escuro. Se calhar é aí que está o problema. Se fosse rója...

Adora brincar às escolas e ser a aluna nova. Eu sou sempre a aluna mal-comportada que lhe faço a vida negra e a Joana, claro, a professora que até dá reguadas. Medo.


Tem períodos do dia em que fala à bebé. É uma mimalhice e ainda por cima como sabe que nos chateia, ainda faz pior. Depois esquece-se e fala normalmente. E fala tão bem. Quando lhe dá para emancipação decide que é um dia especial e que vai fazer tudo sozinha. Dura aí um minuto se tanto, mas é anunciado com grande pompa e circunstância. Mesmo assim lá se vai vestindo sozinha a seguir ao banho e põe ela o cinto de segurança quando está para aí virada. Mas a comer é que é uma preguiçosa do pior, e acabo por lhe dar a refeição toda à boca para me despachar. Tenho que começar a deixar-me disto. É preguicite aguda pura.

Continua muito gulosa e é uma luta diária porque quer pastilhas todos os dias quando sai da escola. Adora sushi e isso sim, come sozinha e com pauzinhos (com elástico). Quando faz cocó faz-me ir lá sempre ver se é "cocó do bom ou diarreia". Já é um clássico. Diz boa fixe quando quer dizer bueda fixe e continua a deixar um rasto de desarrumação por onde passa e faz-se sempre de desentendida quando é para arrumar.

Está sempre ferrada a dormir de manhã durante os dias de escola mas ao fim-de-semana acorda cedíssimo, ainda mais cedo que durante a semana. É um fenómeno que eu gostava que alguém me explicasse e que me irrita solenemente.

Continua muito meiguinha, gosta de dar beijinhos melosos e de dizer que gosta muito de nós. No outro dia apontou para uma parte da minha banha.. quer dizer, barriga e disse que quando estava na minha barriguinha, ali na zona do baço era a sala, no fígado a casa-de-banho e perto do estômago o quarto. É muito muito doce. E adora que conversem com ela e lhe dêem atenção exclusiva. Se lhe derem uns pincéis e tintas para as mãos e pintarem com ela, então é o sonho.

Faz hoje 4 anos e vai ter tudo cor-de-rosa na sua festinha com a família. Mas antes, vermelho e branco. Vai à Catedral pela primeira vez ver o glorioso. E ai que haja desfeita!

8.3.10

Isto aqui anda um bocadinho paradote...

ao contrário de mim que ando cada vez mais activa.

Continuo com as corridas diárias no trambolho e cada vez gosto mais. Hoje pela primeira vez consegui correr 15 minutos de seguida sem ter que descansar a meio. Eu sei que para quem corre há algum tempo, isto é uma miseriazinha, mas para mim que sou uma preguiçosa do pior, que até acha uma trabalheira ter que calçar uns ténis, é um feito.
Agora a ideia é ir até à meia hora de seguida a correr e mais tarde aumentar a velocidade de corrida.

Continua a irritar-me o número de calorias que queimo. Umas míseras 150. Fiquei espantada quando soube que o Nuno na maratona gastou 5000. Ora aí está um número simpático. Dava para comer todo o chantili às colheres que quisesse e arrufadas de cinco em cino minutos.

Uma coisa que estranho é que desde que comecei nunca senti uma, umazinha que fosse, dorzita muscular nas pernas. Nada. Elas fartam-se de bombar e os músculos não se ressentem? Assim a celulite não descola. E a firmeza fica pelo caminho.

A parte que eu gosto é de me superar, devagarinho mas vou conseguindo. E a sensação que dá de nos sentirmos mais elegantes, apesar de até estarmos iguais e mais saudáveis, apesar de continuarmos a comer porcarias. É assim uma aura de saúde que emana de mim nos dias em que corro.

A parte chata é o tédio. Hoje até conseguia correr mais tempo, até aumentei a velocidade no fim, mas estava tão entediada. É que a passadeira chateia como tudo, não há nada para fazer, nada para ver, sempre a olhar para ao mesmo sítio que no meu caso é uma parede branca. Se olho para ela começo a ter visões. Olhar para os pés e esmiufrar todos os pormenores dos ténis, dá-me tonturas. Resta-me olhar para a passadeira. Já estudei todos os cantinhos que há para estudar, já me irritei com o pó que descubro em todo o lado, o cotão aos saltos a chamar por mim. Penso sempre em limpar quando acabar mas esqueço-me sempre. No dia seguinte lá está ele a troçar de mim. Qualquer dia engole-me a mim e à passadeira. Restam-me os joguinhos com os números do painel. Invento contas, simetrias e sequências malucas. Fora as instruções em português e em inglês que já sei de cor. Resumindo, já não a posso ver. Sempre preta, com pó e com os mesmos números a tentarem enloquecer-me.

Ouço num radiozinho com fones as notícias da tsf e lá me distraio minimamente. Acho que meia hora disto vai-me entediar de morte. Preciso de um ipod. Faço anos dia 18 de Maio. Juntem-se todos e vá. A ideia não foi minha. Mas foi muito boa.

25.2.10

Há quem seja viciado em compras

ou em álcool, ou no jogo. Ou mesmo em coisas piores

Eu sou viciada em pães de leite. E arrufadas.

Arrufadinhas quentinhas acabadinhas de sair do forno, com açucar em pó por cima. Do Pingo Doce. Feitas na padaria. Nada de coisas industriais e embrulhadas em papel transparente e com etiquetas cheias de E-330 e gorduras saturadas ou poli-saturadas e outros venenos do género. Arrufadinhas amarelinhas, já disse que são quentinhas?, nas prateleiras da padaria, a chamar por mim. Inês! Inêêês! Estamos aquiiiiii. A tua pança que vá dar uma volta ao bilhar grande. Leva-nos para casa! Somos tão fofinhas, quentinhas, amarelinhas, saborosinhas, cheias de caloriazinhas. E eu, tapo os olhos, fujo, vou para o corredor dos detergentes, do vinho branco, e das fraldas que elas já nem usam. Mas elas não se apoquentam e falam ao microfone. Inêêês!! Tu até já corres todos os dias. Pelo menos uma de nós tu abates na corrida, as outras pronto, ficam alojadinhas à volta do teu umbigo. Do teu umbigo, ahahah, gostaste?

Não, nãooooo. Porque eu sou uma adicta. Eu não tenho auto-controlo. Não me fico por uma. Como quatro de seguida. Se comprar seis, como seis. Vocês não querem viver? Querem ser devoradas assim de repente enquanto vou a conduzir do Pingo-doce-de-janeiro-a-janeiro para casa e deixo o volante cheio de açucar em pó? É decandente, decadente.

E aí entram em cena os pães de leite. Que não têm açucar em pó por cima. Só aí são menos, sei lá, 50 calorias? Fofinhos, amarelinhos e quentinhos. Têm é aquela capa castanha por cima, que a malta teima em tirar e deitar fora. Pensa, sem açucar em cima. Menos 50 calorias. Cada um. Se comeres 4, são menos 200 calorias.

É horrível, não tenho força de vontade. Passo por elas e fico a fazer contas à vida. Levo 5 arrufadas e 5 pães de leite? Ou levo 6 pães de leite e 4 arrufadas? Ou 6 arrufadas, arrufadinhas e 4 pães de leite. Ou porque não 20 arrufadas e 20 pães de leite? Aaaaaa, run Inês run.

Quando levo só 4 arrufadas e 6 pães de leite já fico feliz por mim. Um dia de cada vez. Hei-de chegar ao dia em que ou estou tão elegante que me posso dar ao luxo de comer sem culpas ou então construo uma clínica de recuperação para adictos em arrufadas e vou para lá viver. Sozinha de certeza. Porque vícios destes não são para qualquer um.

24.2.10

Ainda são pequeninas

e já tenho saudades delas assim. Ando sôfrega a aproveitar o que a Rita ainda tem de bebé e o que a Joana ainda tem de criança pequenina e inocente. É assim uma moinha que me assola de vez em quando e que me faz ter saudades delas ao mesmo tempo que estou com elas.

Até porque se ficar por aqui, que é o mais provável, já não vou ter mais bochechas e barriguinhas espetadas a andar pela casa, e vozinhas de bebé cheias de mimo e crianças que acham que somos a melhor companhia do mundo. Até a birrinha porque uma quer dormir de coroa a aleijar-lhe a cabeça ou a birrinha porque a outra pôs água na sopa porque estava muito grossa e agora tem o dobro da sopa para comer, tem graça, ao fim do dia, quando elas já estão deitadinhas ali mesmo ao lado e nós já temos saudades delas.

E tantas vezes sinto um alívio de as ter finalmente caladas e quedas a dormir nas suas camas e me vou enfiar nos seus lençóis e contemplar aquelas carinhas inchadinhas a dormir e a boquinha aberta e o cabelinho suado e o cheirinho a natas.

Um dia apetecia-me e dizia "hoje quero a Joana com 2 aninhos outra vez". E aparecia-me ela de fraldas, com caracoletas a cobrir-lhe a cabeça e iamos passear aos parquinhos, como quando ainda estava em casa comigo. Ou dizia "hoje quero a Ritinha com 1 ano" e tinha uma criança de chucha, cabelinho com franja, mãozinhas sapudas e viciada em nozes e amêndoas. Depois iam dormir e no dia seguinte voltavam ao normal.

Quando tiverem 15 anos e por aí fora, era capaz de solicitar este serviço de regresso ao passado todos os dias. Porque não me apetece que sejam adolescentes, tenho até bastante aversão a essa fase. Por tudo e por nada. Não que não confie na nossa capacidade de as educar para o que é certo. Mas porque isso só, ajuda bastante mas infelizmente não chega.

Sou do mais saudosista que há. Não fico presa ao passado, aproveito muito bem o que cada fase me traz e sinto que tenho vivido a infância delas de uma maneira muito presente mas se calhar é mesmo por isso que sinto sempre pena do que fica para trás. Saudades. Muitas saudades.

E cada vez que um aniversário delas se aproxima, lá fico eu mais nostálgica com os resquícios de bebezice que se vão perdendo. 4 anos. A Rita já vai fazer 4 anos. Mentaliza-te Inês.

23.2.10

Gadget-princess 2

Cá em casa, não se joga wii de qualquer maneira. É a rigor.